domingo, 16 de maio de 2010

Graça Vilhena e H. Dobal





CAMPO MAIOR




(H. Dobal)







Ai campos do verde plano
todo alagado de carnaúbas.
Ai plano dos tabuleiros
tão transformados tão de repente
num vasto verde num plano
campo de flores e de babugem.







Ai rios breves preparados
de noite e nuvem. Ai rios breves
amanhecidos ns várzea longa,
cabeças d’água do Surubim
no chão parado dos animais,
no chão das vacas e das ovelhas.







Ai campos de criar. Fazendas
de minha avó onde outrora
havia banhos de leite. Ai lendas
tramadas pelo inverno. Ai latifúndios.



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CAMPOS PASSADOS


(Graça Vilhena)



(para o poeta H. Dobal)


.




campos de verde engano

terra alagada de desejos

onde pastava a inquietação



campos de verdes tempos

falso silêncio de carnaubeiras

leques de harém na mão do vento

ai, meninas, ai, bastardos

gritos de dor que se perderam

na vastidão dos latifúndios





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Graça lembrando quando mostrou seus versos ao grande poeta, já velho e doente: "Ele gostou e disse-me que estava muito bom. Fiquei muito feliz por ele ter gostado e entendido para que me serviu, no poema, seus "campos do verde plano".

Um comentário:

João de Deus Netto disse...

E pegando carona no poema Campo Maior, do H. Dobal: o campo de aviação da cidade ficava numa clareira cercada de um carnaubal com aquela lindíssima serra enriquecendo o cenário; a saída se dava para uma rodagem que margeava o outro cenários maravilhoso do açude, agora chamado de lago. E lá desciam, Electras, DC-3 e Avros da FAB, sempre trazendo os figurões da didatura, inclusive o cearense Castelo Branco em visita ao túmulo do pai campomaiorense. Hoje, em toda esta área está a "comunidade" da Cidade Nova com toda a modernidade a que tem direito: boca de fumo, pedágio e toque de recolher. Não é o máximo?!!!