domingo, 21 de novembro de 2010

EXTRA, EXTRA! MONTEIRO LOBATO CONDENADO POR ATO DE RACISMO É BANIDO DAS ESCOLAS!

Edmar Oliveira



Uma das (poucas) vantagens de ter já uma certa idade é poder compreender o ridículo a que se expõe moços recém instados a cargos públicos, que não conseguem enxergar a linha evolutiva do tempo. É como se assim fosse desde sempre. Explico-me: um burocrata do Ministério da Educação e Cultura (MEC) achou de censurar “As caçadas de Pedrinho”, obra consagrada de Monteiro Lobato, por racismo. Quem se enredou nas histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo lembra dessa: Narinho e Pedrinho organizam uma caçada a uma onça pintada que escondida nas mata de taquaraçus perto do sítio. Sem o conhecimento de tia Nastácia e Dona Benta, claro, pois reprovariam. Na aventura a onça faz tia Natácia subir numa árvore “que nem uma macaca”. Pronto: a preta Nastácia é comparada aqui a uma macaca em frontal ataque racista, atacou o censor do MEC sugerindo a proibição do livro nas escolas públicas. Nós, lá atrás na linha do tempo, vimos agilidade porque conhecíamos os macacos nas árvores e não a associação símio verso afrodescendentes, que para nós e o Lobato eram negros, sem nenhuma ilação feita pelo politicamente correto censor do MEC. Não era assim no passado. Aliás, o moço deve condenar a turma do sítio por uma caçada a uma onça-pintada, animal em extinção que deve ser protegido por leis ambientais severas. Não era assim também.



Quem nasceu no sertão em tempos passado lembra que a gente sabia que as lagartixas (ou labigós, no nosso piauiês) balançavam a cabeça nervosamente quando nascia um menino homem. É que uma das funções dos meninos naqueles tempos era caçar labigós com nossas baladeiras (estilingue no idioma português) e matar beija-flor para comer o seu coração, ainda sangrando, para ficar “guabes” (ter boa pontaria). E ninguém ficou psicopata por isso, apesar de, nos dias de hoje, isso ser considerado psicopatia. Não era assim. Não tinha o politicamente correto que foi se formando com o passar dos anos. A gente tinha era que “fobar” (gabar-se), dizendo ter matado um beija-flor, mesmo nunca tendo conseguido a façanha.



Lembro da vez que fui a Sete-Cidades, sítio arqueológico no Piauí, com meus filhos. As iguanas andavam entre os meninos com tanta calma e não me lembrava de quando eu era menino ter convivido com iguanas naquele mesmo lugar. Ora, imaginei, os moleques de ontem corriam atrás dos camaleões para matar (nas perversidades naturais de menino, que nós mesmos fomos educando de outra forma) e era natural que eles corressem de nós quando nos viam. Mudaram os camaleões e os meninos. Os tempos são outros. Mudou o mundo. Com certeza para melhor, pelo menos nesse aspecto. Portanto as aventuras do sítio eram noutro contexto e não da exigência politicamente correta de hoje. E não se pode julgar o passado com os costumes do presente, que lá não existiam. E se não existiam não podiam seres infringidos. Que os professores expliquem isso, se um chato politicamente correto perguntar.



E mais, o censor precisa saber que Monteiro se inspirou na Anastácia, babá querida de seus filhos, para criar o personagem. Só falta ele dizer que isso também é racismo: criar a empregada baseada na sua empregada afrodescendente. Lembro que os tempos são outros e naquele tempo tinha que ter uma tia Nastácia nas histórias, que eram da nossa realidade.



Aliás, essa sanha do “politicamente correto” é tão chata que republicamos o artigo abaixo, falando muito bem deste assunto.

3 comentários:

Vidal disse...

O pior é que não dá nem pra chamar essa história inacreditável de samba do crioulo doido.

Dalva Maria Ferreira disse...

Que saco esse politicamente correto!

missosso disse...

e o tal de Shakespeare então? nazistaço, a julgar pelo mercador de Veneza; vá entender os burrocratas... sempre me vem aquela hist´ria do Ministério da Desburocratização do Sarney, lembram?