quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Filho da Puta Glorioso


Edmar Oliveira

Quentin Tarantino chegou à perfeição na técnica, mas não saiu de dentro do “blockbuster” em que trabalhava antes de fazer cinema. “Bastardos Inglórios” acontece todo dentro de uma locadora de cinema. A vida real entra na tela por força e obra deste genial cineasta. No filme conta sua versão da queda do 3° Reich acontecida na tela do cinema e contada por outros filmes.

O que fez com John Travolta nos filmes anteriores faz aqui com dois atores extraordinários, mas que sucumbiram ao tacão do diretor violento: Brad Pitt é um novo ator com o sotaque texano e a bestialidade americana que masca chicletes, e Christoph Waltz num ator versátil dos idiomas cinematográficos correntes nas locadoras, que sacaneia com os sotaques dos outros atores americanos de falar qualquer idioma “em inglês americano”. Genial a crítica. Além de homenagear o veterano Rod Taylor (dos faroestes americanos) que faz uma ponta insignificante como um Churchill que só pita o seu indefectível charuto.

E os filmes todos que viu nas locadoras, Tarantino coloca na tela com trilha sonora e toda ação de forma genial. E como um nervoso freqüentador de todos os gêneros acho que vai tocar em muitos cinéfilos. Em mim sobressaiu o Morricone dos filmes de Sergio Leone, além de trilhas sonoras inesquecíveis para um rato do Cine Rex em Teresina: “O Dollar Furado”, com Giuliano Gemma de um esquecido diretor e de “Um Colt para o Filho do Demônio” do mesmo diretor de “Adeus Gringo” (cult piauiense) com os indefectíveis Lee Van Cleef (sempre vilão) e Antonio Sábato (aqui mocinho). O tema de Dr. Jivago é identificável na Lara de um amor impossível do Tarantino.

Mas estamos falando é de um drama passado na Segunda Guerra e Tarantino reúne todos os atores num cinema para acabar com a guerra. Goebbels, Göring, toda a cúpula alemã, inclusive Hitler tem o final antecipado em cinema de locadora barata em que o Tarantino trabalhou e misturou todos os filmes no seu inconsciente. Tem gente que não vai gostar do filme. Mas essa gente nunca gostou mesmo de cinema...

Um comentário:

missosso disse...

Edmar,
boa pegada essa sua veia crítica, adotei o blog, Piauí câmbio!
Filipe