domingo, 24 de janeiro de 2016

Um dia a casa cai



Foi o Fórum de Davos quem denunciou. Os donos do mundo admitem que, mantendo a situação atual, daqui a quarenta anos os oceanos terão mais plásticos do que peixes.

A baía de Guanabara já morreu e é uma boca banguela do Levi Strauss cheia de detritos. Quem vai ao Museu do Amanhã – obra arquitetônica do mestre Calatrava – fica horrorizado com a quantidade de garrafas e sacos plásticos que se acumulam num ângulo de noventa graus que o píer do museu faz o cais. As Olimpíadas acontecem daqui a pouco e nada se fez para a despoluição da baía, onde acontecerão provas de canoagem. Certamente a baía da Guanabara já tem muito mais plástico do que peixe. Imaginemos os oceanos assim poluídos. Parece que o homem vai destruindo o seu planeta de forma galopante.

Não estarei mais aqui para assistir este caos, mas imagino meus netos num Rio sem praia. Pode ser que o apartamento de frente pro mar perca valor, pelo cheiro da putrefação dos oceanos. E certamente o impacto na alimentação por pescados será grande.

Stephen Hawking, numa sobrevivência teimosa na sua cadeira de rodas, preocupado com o futuro da humanidade, vaticina que o homem só sobreviverá se trocar de planeta. Acho que não conseguiremos isso em quarenta anos. E há a possibilidade de destruirmos o planeta antes de encontramos outros com condição de moradia.

Não seria mais prudente tentar consertar a casa velha, antes que caia?

  

(Edmar Oliveira)

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