domingo, 18 de março de 2012

recordando H Dobal


H. Dobal

Nas mãos do vento as chuvas amorosas
vinham cair nos campos de dezembro,
e de repente a vida rebentava
na força muda que as sementes guardam.


Nas ramas verdes rebentava a luz
e a doçura do tempo transformava
a terra e o gado na pastagem tenra,
na alegria dos rios renovados.


Cheiro de mato e de currais suspensos
no ar que os dedos do inverno vão tecendo
mais uma vez nos campos de dezembro.


E nos trovões a tarde acalentada,
cantigas de viver que a chuva traz
numa clara certeza repetida.

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Irmãos e irmãzinhas: tivesse escrito apenas este belo soneto, H. Dobal já teria deixado a marca de sua presença luminosa entre nós. Os nordestinos sabemos por quê. (Cinéas Santos)
desenho: Netto

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