quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Smart Drugs




Edmar Oliveira

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Leio nas folhas desta semana que a molecada tá se drogando com Ritalina e Anfetaminas para conseguir uma inteligência artificial e serem mais competitivos nesses tempos de imoral individualismo. E que a indústria farmacêutica vem pesquisando novas drogas para aumentar a memória ou forçar um esquecimento no caso de fatos traumáticos. E isso tudo para anunciar o campo das neurociências como o substituto da velha psiquiatria cansada de guerra. Estão anunciando um comprimido composto de inteligência, concentração e memória, capaz de tornar o candidato a uma vaga na saga capitalista invencível aos seus concorrentes que insistem no velho hábito de aprendizado.



O cérebro turbinado é a última operação plástica para enfrentar a pressão da concorrência e fazer bonito na fita, que já não é mais vida real. É resultado da premiação do belo corpo, eterna juventude, sucesso e dinheiro. E a manada vai atrás tentando vencer todos os outros, tratados como concorrentes ou mesmo inimigos. Não há lugar na primeira fila pra todo mundo. Me lembro do filme do Costa Gravas que o personagem matava quem ameaçasse tomar o seu lugar ou matava a pessoa que ocupasse um lugar desejado. Ou daquela piada em que dois jovens estão numa savana africana e ouvem um rugido de um leão. Enquanto um, mais solidário, procura pedras e paus para a defesa, o outro calmamente calça seus tênis de última geração. O primeiro pergunta se o segundo acha que pode correr mais do que o leão, e que portando seria melhor se unirem para enfrentar o inimigo. O que calça o tênis diz calmamente que sabe não ser possível correr mais do que o leão, mas que seu objetivo era correr mais que o outro, pois enquanto o leão devorava o retardatário o outro podia escapar. É desse capitalismo que somos alimentados nos dias de hoje.



O que me preocupa é o abandono dos velhos métodos de aprendizagem. Leitura sistemática, informação, estudo do passado para o entendimento do presente e projeção do futuro. Essa inteligência artificial dos “smart drugs” pode criar um mundo também artificial e o mundo real já não vai servir pra nada...



2 comentários:

LOUCA PELA VIDA disse...

Nem li a postagem inteira... mas já tenho uma posição sobre a fabricação de supergênios e a escola inclusiva ou a universidade que exclui os bipolares, esquizofrênicos, trastorno por substâncias, etc. Hoje com muita dificuldade burocrática consegui deixar em mãos de comprometida professora do Serviço Social/UFPI uma proposta de projeto de extensão de apoio para significativo número de matriculas trancadas por transtorno mental. O aluno não consegue por conta de crises cursar disciplinas, tem baixo coeficiente que os impede de uma carreira discente participativa. Tranca o curso várias vezes, omite a razão, etc. O projeto visa a localização desses aluno no sentido de apoiá-los dando um prazo maior p/ conclusão de uma disciplina, a companhia de um colega monitor, a exemplo dos deficientes visuais e atividades terapêuticas que o ajude a monitoração dos sintomas para que passe o maior tempo possível em remissão de sintomas. Pense na dificuldade de entendimento por parte de algumas pessoas da comunidade universitária. O "doido" tá lá, mortinho como no cemitério dos vivos de Lima Barreto. Transtorno mental não afeta o cognitivo, passou a crise com ajuda dá p/ aprender. Pílula de inteligência deve ser p/ pessoas normais.

requiem for hering disse...

só o que faltava mais uma estúpida invenção dos vivos.
sem livros e leituras ninguem vai a
lugar nenhum!
essas smart drugs é mais uma merda capitalista pra se ganhar dinheiro de Òtario.