quinta-feira, 3 de abril de 2008

CANTANDO TERESINA

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Longe da terra, Geraldo e eu falamos da Tristeresina, que é mais triste em nós...
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THERESINA


Geraldo Borges


Theresina arde em minha memória
No calor do mormaço o casario
Tua velha arquitetura tua história
No cais abandonado passa o rio.

Theresina tuas páginas vou virando
E assim vejo vinhetas do passado
Velhos vapores no rio navegando
Sempre no cais no horário demarcado.

Theresisna eu te canto nesta hora
Quando já não mereço o teu amor
Pois te abandonei e fui embora.

Theresina por que não me perdoais
Pois se eu fui um amante traidor
Talvez eu volte à beira do teu cais.




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DÍVIDA COM TERESINA



Edmar Oliveira



Para Manel Avião, Nicinha e Bibelô


ter-te
ter a sina da dívida
que tenho contigo
de não te devolver o amor que tens em mim

na marca dos quintais,
do cais do rio, do mercado,
o bolo-frito com café preto,
o troca-troca das bicicletas, dos passarinhos.
Trocar olhares na praça Pedro II
até as nove horas,
depois descer a velha rua Paissandu
de romances venéreos,
aventuras nos seriados do cinema
e nas tertúlias no clube dos Diários...

ter-te
ter a sina dividida
que tenho o castigo
do filho ingrato que mais usufruiu o teu carinho

na marca dos quintais,
do beira-rio, do pecado,
Maria Izabel e o segredo
no troca-e-rouba um beijo, a flor dos descaminhos.
Roubar pitombas nos quintais
após as nove horas,
depois descer à Palha de Arroz
em encontros etéreos,
princesa dos rios de alfazema
Não-se-Pode um cavaleiro solitário...

ter-te
ter a sina dividida na dívida
de que Manel Avião, Nicinha e Bibelô,
personagens de tuas ruas,
muito mais te deram na tua construção
(sem nada em troca)
do que eu, que muito te tenho em mim...

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