terça-feira, 1 de janeiro de 2008

A caça e o caçador


Geraldo Borges


Era uma família que gostava muito de comer tatu. O pai era um grande caçador de tatu e morava nas brenhas do Maranhão, nas matas do Norte. Os filhos foram criados comendo tatu. O filho mais velho já ajudava o pai na caça do tatu, juntamente com dois cachorros: o Tá e o Tu, que acuavam o tatu no buraco. Aí pai e filho, cachorro e companhia, cavavam e tiravam o bicho de dentro da toca. Ás vezes mais de um. Banquete: cozido de tatu, era quase todo dia.

A vida continuava. Tatu nascendo, tatu morrendo. Até que um dia o dono da família já bastante velho morreu. Foi enterrado no cemitério da propriedade da família. Aliás, inaugurou o campo santo, com a primeira cova e a primeira cruz.

No dia de visita de cova a família foi a sepultura rezar pela alma do chefe. E viram dois buracos no monte de terra e dois tatus saindo de lá de dentro. Ficaram perplexos, olhando uns para os outros, sem acreditar. Mas, logo, voltaram a si.

Quem primeiro reagiu fui o filho mais velho, que resolveu dar cabo dos dois tatus e levá-los para casa. Nesse mesmo dia a mãe da família preparou um apimentado cozido e fizeram um lauto banquete. Pena o pai não está presente para participar da festa. Mas em espírito ele se encontrava ali oferecendo aos filhos o seu espírito de caçador.

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Geraldo Borges, o piauinauta em órbita do pantanal, nos brinda com este conto mínimo antropofágico.
Pedimos licença da grande Niéde Guidon para a publicação e a ilustração do conto. Mas esta história de tatus, da caça e do caçador, contribui para a preservação da alma humana e não da extinção dos tatus. (Edmar)

Um comentário:

pedro disse...

amigo essa historia ta meio conplicada nao era tatu. sim era um peba ele é parececido com tatu e come carne. já cancei de pega peba com comendo carcaça de animal no meio do mato. eu acho que os dois peba tava era comendo o difunto.