domingo, 5 de abril de 2015

ZÉ DA PRATA, o maior poeta de Altos

JOSÉ FERNANDES CARVALHO, vulgo "ZÉ DA PRATA", nasceu na localidade Prata, município de Altos-PI, no dia 1º de Junho de 1871. Violeiro, poeta, trovador e repentista e repentista de grande talento, produziu vasta obra que continha mensagens polêmicas para a sociedade de sua época, como o erotismo e críticas de cunho político. Tocava Sanfona com rara felicidade e tinha o hábito de cantar nas festas. Casou-se com Liduína Paiva, filha de João de Paiva Oliveira (o filho do fundador de Altos). Foi lavrador, funcionário da Prefeitura Municipal de Altos e escrivão da Coletoria Estadual, em Altos. Veio a falecer em 14 de março de 1945, na localidade Canto Alegre (parte integrante do atual município de Coivaras, que se desmembrou do município de Altos em 01 de janeiro de 1993). Zé da Prata não deixou obra escrita, mas seu talento é reconhecido e sua poesia permanece viva na memória popular, tendo sido transmitida às gerações posteriores através da tradição oral. 

(Extraído do perfil atribuído a Zé da Prata no Facebook




Poemas publicados por Zózimo Tavares, garimpados por Durvalino Couto:


SOBRE A MOÇA QUE SE CASA!
A moça quando se casa,
Todo castigo merece.
Troca pai e troca mãe
Por alguém que mal conhece
E fica na obrigação
De amolecer um cambão
Toda vez que endurece!


LENDO A MÃO DE UMA ESPIVITADA!
Rapa, rapé e raposa
Lá nas barra do Sambito,
Onde o diabo deu no cão,
Onde o cão deu no maldito,
Onde a cabra deu no bode
E o bode deu no cabrito, 
Pra baixo eu vejo a terra,
Pra cima o infinito.
No rosto dessa garota
Vejo dois olhos bonito.
Você não pode negar
Em sua mão está escrito
Que um rapaz aqui dos Altos
Já pegou no seu priquito!


OUTRO QUE SE DEU MAL COM A LEITURA DE MÃO!
Eu vejo que és devoto
Devoto de São Raimundo.
Mas essa tua mão feia
Vê coisa de outro mundo,
Mostra que tu és baitola
E dá o cu pra todo mundo!


JÁ IDOSO E BRINCANDO CONSIGO MESMO!
Minha correia ta fina
Que só bico de sovela.
Tudo o que ganhei na vida
Eu hoje gasto com ela,
Assim mesmo não evito
Que mije a minha chinela!
-x-x-x-x-x-x-x-
Se vejo mulher bonita,
Meu corpo ainda se bole,
Mas sei que já estou velho, 
É melhor que me console...
De que serve eu ter desejo, 
A correia assim tão mole?
E a correia desse jeito
O priquito não engole;
Mesmo botando a cabeça, 
Tirando a mão escapole.
E não posso dessa forma
Fazer mais o bole-bole.


FALANDO SOBRE MULHERES!
O bicho que mata o homem
Mora debaixo da saia.
Tem asa que nem morcego,
Esporão que nem arraia, 
E uma brecha no meio,
Onde a madeira trabaia.
-x-x-x-x-x-x-x-x-
Há uma espécie de arraia
Que os homens gostam dela, 
É enfeitada de fiapos, 
Tem um dente na titela.
Na hora que vai comer
Se abre que nem moela
E amolece nervo duro
Mais ligeiro que panela.


DIZEM TAMBÉM SER DELE...
Há quatro coisas no mundo
Que mantém um homem em pé
É carne de vaca gorda,
Toucim de porco baé,
Farinha de mandioca
E priquito de muié!


ATÉ NO LEITO DE MORTE VERSEJOU!
Eu estou passando as horas
Em estado moribundo.
Mas rede e panela velha
Só se acabam pelo fundo.
E talvez nesses três dias
Viajo pra o outro mundo.


Estou aqui padecendo, 
Como a velha carnaúba
Meus lábios estão rosados
Que só tripa de cojuba
E a face tão corada
Que só flor de caraúba.
Só me dão para comer
Um triste mingau de puba.
Tô no pé de uma ladeira
E não sei como é que suba.




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