domingo, 10 de novembro de 2013

A velha ponte do trem Maria Fumaça

(Geraldo Borges)

 
A velha ponte metálica  está  parcialmente corroída pelas  estações das águas e do sol, praticamente abandonada, parece um grande paquiderme  saído de uma metalúrgica  fantástica. Foi construída por uma engenheiro alemão, e muita mão de obra maranhense e piauiense, e, com certeza, cearense. O engenheiro alemão, dizem, suicidou- se, porque os alemães adventícios estavam sendo perseguidos durante a guerra. A ponte se não me falha a memória foi construída na década de 30. Dizem também que o material que veio para a construção da ponte dava para construir a do rio Parnaíba e outra sobre o rio Poty, essa desapareceu. Em vez de uma ponte metálica apareceu uma de madeira.
 
João Luiz Ferreira, engenheiro, com certeza, deu a sua demão na construção da ponte que leva o seu nome. Antes de  ser construída o trem de ferro Maria Fumaça chegava até a estação de Timon, os passageiros que vinham para Teresina passavam em canoas para o outro lado. Assim, também, os comerciantes, com as suas mercadorias. A ponte precisava ser feita e assim se fez. Em nome do desenvolvimento econômico dos estados do Maranhão e do Piauí. Mais tarde sofreu uma adaptação  para que no seu leito passasse caminhões e automóveis.



Do outro lado do rio, em terras maranhenses, existem muitas personagens anônimas que estão ligadas sentimentalmente a velha ponte metálica. É só pesquisar, Em Teresina existia uma figura popular que tinha a sua biografia bastante ligada a ponte. E eu gostaria de apontá-lo. Chamava - se  Manelão, vulgo Manuel Avião, que com a sua febre de representar o mocinho  na fita de cinema pulava escandalosamente de cima da ponte para salvar a mocinha.

Eu também tenho a minha história relacionado da com a ponte  João Luiz Ferreira. Vem do meu tempo de menino quando a ponte era apenas uma travessia de trem. Não era revestida de tábuas. Os seus dormentes apareciam debaixo dos trilhos, como costelas de um grande animal antediluviano,  e, de cima, via-se lá embaixo as águas do rio  barrentas, descerem caudalosas, fazendo vórtices em torno dos seus pilares.  Eu me aventurei atravessar a ponte para a cidade de Timon, com outros colegas. Mas quando estava no meio  me arisquei a olhar para baixo. Fiquei tonto Senti como se as águas quisessem me arrastar  para o fundo do abismo. Resolvi voltar engatinhando. Hoje pensando bem, me pergunto se estava no meio da ponte, ou, talvez, mais perto de Timon, por que não fui em frente e realizei a minha façanha? Isso fez com que eu admirasse mais ainda os meninos  moleques que subiam cabriolando pelos elevados arcos  que rodeiam  a ponte e depois declinam  E assim eles atravessavam o rio dando um espetáculo. A ponte nos atraia não só pela sua beleza arquitetônica, coisa que não entendíamos, mas, pelo fato de ser uma travessia, de nela a gente ver o trem passar. Somente o trem naquele tempo. E de certa maneira  porque  ficava distante da cidade. E nos proporcionava um passeio excitante.
Ao longo de muitos invernos e sol causticante a ponte metálica sofreu algumas avarias a ponto de seu uso se interditado. Mas resiste a ferro e fogo. Abraça o rio de um lado a outro num gesto cordial  ligando dois estados que têm muito em comum. E é por isso mesmo que ela pertence à União, de modo que merece o zelo tanto de Teresina como de Timon.
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fotos da ponte metálica de cima para baixo: Paulo Tabatinga, Dasaev dos Santos Barbosa e Raphael Senna (primeiro, segundo e terceiro lugares num concurso de fotos da ponte metálica)
 

 

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