Edmar Oliveira
Uma reportagem, outro dia, trazia os arranha-céus que
crescem desbragadamente nas capitais do nordeste e a geração de seus
consequentes problemas. Parece que grandes prédios são sinônimos de desenvolvimento,
mas a falta de infraestrutura e fatores climáticos complica a situação. A
concentração de prédios e seus habitantes em uma pequena área, sem uma rede de
abastecimento e esgoto adequada geram um despejo de esgoto em natura que,
certamente, é responsável pela morte de nosso rio Poty em Teresina. Cisternas
cada vez maiores e bombeamento de água ininterrupto, com certeza, contribuem
para o escassez de água potável. A devastação
ambiental necessária à construção e a altitude dos prédios dificulta a
circulação dos ventos e elevam a temperatura já quente da região.
Ao mesmo tempo vi, na TV, uma matéria sobre Masdar City. A
cidade sustentável que os Emirados Árabes fazem no deserto de 40º. Projeto
carbono zero para só usar energia natural. Todos os pequenos prédios (em
altura) são cobertos por placas de energia solar. Além disso, há no deserto
improdutivo uma área de mais de dez campos de futebol com placas solares e
energia eólica. A cidade, mais perto do equador que Teresina, tem ruas
estreitas (esperteza árabe que eu vi na Espanha) e no sentido sudeste-noroeste
para que sejam sempre sombreadas. Em vários cruzamentos há torres altas que
captam vento por pressão negativa e distribui pelas ruas, que os prédios
arredondados ajudam a manter. Lembrei-me o velho Wilson aí de Teresina que
dizia que só ia ventar na cidade quando encanassem o vento. Brincando, ele
estava certo.

Se é pra imitar, que se imite o futuro como Masdar. O
nordeste, com sol o ano inteiro, pode plantar placas de energia solar em terras
improdutivas, como verdadeiras fazendas árabes que vi na Espanha. E os nossos arquitetos bem que podiam bolar
prédios sustentáveis, com ruas estreitas sombreadas para recuperamos no futuro
o nosso passado. Será que há tempo?
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Para ver Masdar (Fonte, em árabe):
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