domingo, 4 de dezembro de 2011

Nonato Oliveira


Geraldo Borges


A minha amizade com Nonato Oliveira data do começo dos anos setenta, o conheci através do Raimundo Rios, o Mundinho, que tinha a competência de se dar com pessoas de rara sensibilidade. Mundinho era um jovem rebelde filiado ao partido comunista brasileiro. Desiludido de Teresina foi embora para o Rio de Janeiro. Nonato Oliveira também foi embora por alguns tempos Perseverou em seu oficio de pintor. Não demorou muito ficou famoso, badalado na mídia. Visitou galerias importantes pela Europa  expondo os seus quadros.

            Tipo jovial, alegre, vendendo vitalidade, bonachão, se dava bem com todo mundo, com a oficialidade governamental e com a plebe. Bom de copo.

Como é sabido Teresina tem sua marca pictórica expressas em  seus murais, com motivos folclóricos de nossa gente. Ninguém discute o talento do pintor, ele agrada, e pronto. Claro que não trouxe nenhuma novidade para a arte plástica contemporâneas, e por isto mesmo é original, original porque é chão, pinta sua aldeia. Sua pintura penetra os olhos com ênfase de cores, vibrações, é expressiva, É o que importa. Além do mais e reconhecido internacionalmente, até mesmo como escultor e entalhador

            Como escultor nos deu a obra que se encontra  no Encontro das Àguas à beira dos rios Poti e Parnaíba, denominada; - O Cabeça de Cuia e as sete Marias virgens.Uma obra significativa  do folclore piauiense. Não podemos dizer que seja uma obra prima. Mas é de pedra e perdurará quer haja seca ou enchentes nos rios. È um marco.

            A ultima vez que vi Nonato Oliveira, ele estava meio  sorumbático. Já não via seu nome estampado nas manchetes de jornais. Mas não tinha perdido a elegância. Convidou-me para entramos num bar a fim de conversarmos e bebermos alguma coisa. Atendi ao seu convite, embora, ainda não fossem dez horas da manhã.

 Entramos no antigo bar do Santana, na   praça da Liberdade,  em frente a Igreja  São Benedito, que é uma obra de arte, construída a ferro e fogo com o suor dos de escravos e flagelados da seca. Eu pedi cerveja, ele, vodka. Conversamos. Banalidades, esquecidas. A única coisa que me lembro é que falou do nosso amigo Josias Clarence, o mesmo, tinha deixado, ao morrer, um museu particular,  legado da família, e que, com certeza, era muito valioso. Até hoje não sei que fim levou as peças desse museu.

Saímos do bar, mais animado. Eu estava de passagem por Teresina, voltando para Campo Grande, Mato Groso do Sul.  Despedimos - nos. Talvez ele não se lembre mais deste momento, de um instante inesquecível  de seu cotidiano.

 Em  Campo Grande,  como sempre acontece, aos dias de sábado, freqüento os sebos da cidade. E, ocorreu que, uma vez numa dessas visitas ao sebo, conversando com o escritor e professor universitário Gilberto Alves, ele me perguntou por que eu tinha desaparecido. Falei que tinha voltado recentemente de Teresina, Piauí, Ele olhou para mim e enfatizou. – Teresina, Piauí? – Sim Teresina, Piauí. Pensei que ele fosse fazer uma piada. E fiquei com a mosca na orelha, esperando a sua manifestação. Finalmente, ele me perguntou. – Você conhece o Nonato Oliveira pintor? Sorri aliviado. – O Nonato? Sim conheço, é meu amigo. Por quê? – É que eu tenho um quadro dele lá em casa.

Não perguntei –  onde o  adquirira. Talvez eu alguma galeria do Rio de Janeiro ou São Paulo, ou mesmo na Europa. O certo é que me falou com orgulho que tinha um quadro de Nonato Oliveira. Eu disse você fez uma boa aquisição. Ele me convidou para ir a sua casa ver o quadro. Mas nunca deu certo. E como tive de me mudar para outra  cidade, não vi o quadro de Nonato Oliveira, quer dizer, do Gilberto Alves. Mas imagino  sua cor, sua textura, muita tinta, muito sol, a alma do nordeste piauiense.
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foto do artista e um dos seus trabalhos

Um comentário:

Amanda Paz disse...

OLÁ, ADMIRO O TRABALHO DE NONATO OLIVEIRA. VOCE SABE ONDE POSSO ADQUIRIR UMA OBRA DELE?