quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Marina da Silva





Geraldo Borges





Marina Silva não é nenhuma Joana do Arco, nem tampouco uma amazonas, mas é mar e selva, duas forças poderosas da natureza, eis a sua primeira e grandiosa afinidade com o Brasil. Palavras sim. Palavras têm força quando não são demagógicas. Fiat lux e a luz se fez.



Marina Silva no principio de sua adolescência era apenas uma menina que não sabia ler, como milhões de mulheres no Brasil, vivendo na ignorância. Alfabetizou-se aos dezesseis anos. E o mais importante formou-se em História, e está escrevendo a sua história. E com certeza conhece o país pagina por página. Gosta de ler, ao contrario de nosso guia, que não gosta, conforme sua própria declaração, e nem ao menos fez questão de adquirir esta salutar habito, tão importante em uma republica das letras. Ler lhe dá sono.



Marina conhece o Brasil de pé no chão. Teve uma profícua militância, incansável, durante muitos anos. Foi uma das fundadoras do PT. De simples vereadora no Acre alçou-se ao Senado. Sua figura chã e retilínea, embora frágil de compleição é um emblema que brilha na constelação de poucos políticos sérios neste país.



Sua retirada do PT aconteceu na hora certa, num momento conjuntural propício, como se a árvores da floresta ativesse dado o fruto certo na hora bem vinda. Bom momento para navegar enquanto a maré estar subindo. Claro que não é só mudando de partido que as coisas se resolvem. Um partido não é o povo, mas o povo é uma assembléia e quando tiver consciência disso será maior do que um partido. O PV pode ser o partido da vitória. Quer dizer um partido que não vise acobertar os corruptos, que não vise um desenvolvimento a custa da miséria da maioria dos deserdados.



Se Marina Silva for candidata a presidente da republica colocará em discussão sua nova mensagem que não é de hoje para um novo desenvolvimento, o crescimento sustentável. Uma bandeira que traduz a paz do homem com a natureza. Mariana Silva sente na própria pele a responsabilidade desta tarefa. Pois já sofreu o desmantelo do desenvolvimento assassino que não respeita o meio ambiente. Estou falando de contaminação de seu organismo pelo mercúrio. O caso dela é conhecido, sem falar de centenas de pessoas que são agredidas todo dia pela ferocidade química e física de uma sociedade consumista.



Quando fenestraram Marina Silva do ministério do Meio ambiente. Marina mar e selva. Apareceu uma oportunidade para que ela saísse do partido. Mas, paciente, reflexiva, não volátil como o mercúrio que corre em suas veias, ela esperou o momento decisivo. Soube fazer a hora, coisa rara. E assim aconteceu.



Muitos episódios políticos de uma comédia bufa, que, são um prato cheio para os programas de humor, estão ocorrendo em Brasília, sob os holofotes da imprensa: a crise do Senado, com todos os seus desdobramentos. O PT perdendo toda a sua credibilidade, o que é uma pena, comendo farelos com os porcos, quem manda ouvir o canto de Circe. A pocilga está insuportável. E por isso mesmo não foi só Marina Silva quem saiu. O senador Flávio Arns gente de boa família, resolveu também pular a janela, tomar fôlego em busca de outro horizonte.



Agora é esperar o desencadear da narrativa histórica, quer dizer dos acontecimentos, do jogo de xadrez. A rainha Dilma segundo a voz dos oráculos está na corda bamba, sem muito equilíbrio. E, além de tudo, não tem mostrado simpatia. Claro que simpatia apenas não ganha eleição. Se ganhasse Marina Silva já estaria eleita. No Brasil o que ganha eleição é dinheiro, aí está o perigo. Mesmo assim o aparecimento de Marina Silva no elenco dos candidatos para presidente da republica é uma guinada nova na luta por espaço político capaz de arejar o meio ambiente e criar uma lufada de esperança para um país onde o mar e a selva tem de ser preservado. Não é Marina Silva?


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Borges, Piauinauta de primeira hora tem todo o direito de politizar. Só lembro ao amigo que Sarney Filho é membro dileto do PV....

Um comentário:

Teresa Cristina flordecaju disse...

Um belo texto acerca de uma grande MULHER. Meu carinho.