
Aderval Borges
O alto mercado de artistas que se expõem o tempo todo é cruel, vampiresco. Não só nos isteitis, mas principalmente lá. Temos agora o desfecho final de mais um dentre tantos: "a" Michael. Na verdade, já estava morto há um bocado de tempo. O coração ter apitado ontem foi para ele - e para o público de maneira geral - um alívio. Incrível pensar que aquele monstro mórbido dos últimos tempos, tão parecido com os personagens dos contos de Lovecraft e de Poe, dos filmes expressionistas de Murnau e Robert Wiene ou com a figura do quadro "O Grito", do Edvard Munch, tenha sido, há coisa de 20 anos, um dos mais completos artistas de palco da música popular norte-americana. Sua transformação autodestrutiva se deu publicamente, passo a passo, constituindo-se no derradeiro e indefinido espetáculo sem direito a repeteco. Entre os mais novos, ninguém é capaz de associá-lo às belas canções que compôs. A que ficou de maneira mais marcante talvez tenha sido Thriller, espécie de autoironia à própria transformação de pretenso Peter Pan embranquiçado em um monstro deformado e de rosto encoberto.
São numerosos os casos dos que embarcaram na síndrome autodestrutiva do mercadão: Chet Backer, Hendrix, Joplin, Corbain, etc. Incluem-se nessa vasta lista também nossa multitalentosa Carmem Miranda e Prince, o sucedâneo de Michael Jackson, que ainda não morreu mas se tornou uma ameba. Me vem à cabeça uma revista - não sei se já era a Rolling Stone nacional - do final dos anos 60, na qual li uma entrevista com Jim Morrisson que muito me impressionou. Ele era então um o jovem cantor/letrista de uma nova banda, cujos integrantes ainda nem tinham o rock como prioridade e cujo único sucesso, até aquele momento, era o compacto Light my fire, que tocava muito nas inocentes brincadeiras dançantes nas garagens das casas. Morrisson dizia, com convicção, que os Doors durariam, quando muito, uns dois anos e, tão logo acabasse, voltaria a fazer o que mais gostava: cinema.
Dois anos depois, os Doors acabaram, sim, porque Morrisson se acabou. Daquele sujeito novinho com repertório acima da média dos roqueiros, cuja entrevista ponderada e equilibrada eu lera dois anos antes, sobrara o cadáver de um sujeito inchado e sem voz, cujas últimas exibições foram mijar em público sobre as mesas dos restaurantes de Paris. Quando concedeu a entrevista, tenho certeza de que não planejara para ele próprio tal desfecho.
São numerosos os casos dos que embarcaram na síndrome autodestrutiva do mercadão: Chet Backer, Hendrix, Joplin, Corbain, etc. Incluem-se nessa vasta lista também nossa multitalentosa Carmem Miranda e Prince, o sucedâneo de Michael Jackson, que ainda não morreu mas se tornou uma ameba. Me vem à cabeça uma revista - não sei se já era a Rolling Stone nacional - do final dos anos 60, na qual li uma entrevista com Jim Morrisson que muito me impressionou. Ele era então um o jovem cantor/letrista de uma nova banda, cujos integrantes ainda nem tinham o rock como prioridade e cujo único sucesso, até aquele momento, era o compacto Light my fire, que tocava muito nas inocentes brincadeiras dançantes nas garagens das casas. Morrisson dizia, com convicção, que os Doors durariam, quando muito, uns dois anos e, tão logo acabasse, voltaria a fazer o que mais gostava: cinema.
Dois anos depois, os Doors acabaram, sim, porque Morrisson se acabou. Daquele sujeito novinho com repertório acima da média dos roqueiros, cuja entrevista ponderada e equilibrada eu lera dois anos antes, sobrara o cadáver de um sujeito inchado e sem voz, cujas últimas exibições foram mijar em público sobre as mesas dos restaurantes de Paris. Quando concedeu a entrevista, tenho certeza de que não planejara para ele próprio tal desfecho.
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