domingo, 10 de agosto de 2014

um sonho de paz pode virar pesadelo...


(Edmar Oliveira)
 
Bem Gurion, principal fundador do Estado de Israel, certa vez comentou algo assim: “Não faz sentido que os palestinos deixem de brigar pela terra que tomamos deles. Quem nos deu esta terra foi Deus, mas os palestinos não acreditam no nosso Deus”.

Portanto é uma guerra difícil de ter fim, baseada numa fé monoteísta que exclui o deus do adversário. Alá e Jeová vão travar esta batalha pelos restos dos seus dias com uma política de ódio que dispensa qualquer tentativa de paz. E como os deuses monoteístas são eternos, criadores do céu e da terra, só a destruição de um povo pelo outro pode matar o seu deus. Israel vem provocando uma política de extermínio para destruir Alá. Jeová desistiu de Davi e sua atiradeira. Preferiu armar seu exército com mísseis capazes de destruir as populações palestinas na versão impiedosa de um Golias que tomou a estrela de Davi para expulsar os palestinos da terra que também é deles. Cada vez é mais difícil a Palestina existir. Duas pátrias num só país é uma tentativa fracassada de tentar a paz entre os dois povos.

Era bom relembrarmos o surgimento do Estado de Israel pela ONU, em 1948. O nosso embaixador Graça Aranha teve uma atuação importante na definição do Estado de Israel. Mesmo que o representante do governo israelita chame o Brasil de anão diplomático, esse anão participou lá na criação do Estado do povo hebreu na Palestina. Israel reivindicava o antes na história do livro sagrado. A terra que agora era dos árabes fora a terra dos ancestrais dos hebreus. Mas a solução salomônica, da qual Aranha participou como principal articulador, não deu certo.  

Há uma lenda, muito corrente no sertão, que a herança branca dos nordestinos veio dos cristãos novos, conversão obrigatória dos hebreus para escapar das fogueiras da inquisição. Esse parentesco poderia ter feito o maranhense Graça Aranha, numa malandragem meio sem graça, ter oferecido o nordeste para abrigar o povo hebreu. 

Vocês imaginam Israel no sertão? Seria uma festa: a irrigação do semiárido diminuiria a devastação da seca endêmica, os kibutz israelitas tornariam o sertão num País de São Saruê  do poeta de cordel. As terras improdutivas do cerrado viçariam nas mãos dos cientistas de Israel, o verde jamais abandonaria a caatinga e a flor do mandacaru seria mais um ornamento e não apenas anunciaria a salvação do gado comendo sua palma de espinhas. A Asa Branca não seria o agouro da seca e o sertanejo jamais mataria a Fogo-Pagô pra comer avoante. O calango não precisava bater a cabeça com medo de ser morto pela baladeira do menino. Os rios secos seriam perenes como o Jordão e era possível um Jardim Suspenso no Seridó. A barragem de Paulo Afonso alargaria a represa como o Mar da Galiléia.

O Estado de Israel tomaria o Ceará, Pernambuco e Paraíba como centro da pátria sionista, o sertão do Seridó seria um verde coberto de manás do Deus de Israel.

Mas a nova pátria abrigaria os sertanejos com cara de palestinos e nomes judaicos ou os expulsaria para uma faixa de Gaza no Piauí? Os Palestinos também não são irmãos dos hebreus, todos filhos de Noé?

Vamos parar com o sonho do Graça Aranha. Ben Gurion tinha razão quando disse que a terra de Israel foi dada por deus com a geografia que povoa o velho testamento. Eles que briguem por lá. E eu vou acabar com esse sonho maluco do Piauí ser a Faixa de Gaza com suas consequências...
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ilustração: montagem com um desenho de Gervásio e um tanque no deserto


 

2 comentários:

antonio padua disse...

Ludwig Schwennhagen, em seu livro, Fenícios no Brasil, diz que aqui em sete cidades, era um grande centro ecumênico. afirmações perdidas nas areias da arqueologia.

Anônimo disse...

DRENO

Gaza está em toda parte
doença crônica da humanidade
já não me importa.
É tão cruel olhar pro céu?

Lelê