domingo, 23 de junho de 2013

 
NOITE NO ASFALTO
 
O brilho noturno do asfalto molhado
Dá a sensação de solidão e desterro
Lembra filme noir, coisa do passado
Triste como lembrar um antigo erro
 
Atravessar uma cidadezinha adormecida
Na luz pálida de um tempo sem futuro
A claridade da janela na ruela refletida
Iluminando fragilmente um velho muro
 
O carro atropela veloz o opaco da pista
A luz do farol bate na brumosa neblina
Provocando o frio que tolda a vista
Colando a visão noturna na retina
 
Os olhos dos bichos são pequenas tochas
A passear brilhantes pelas margens
Povoando árvores, contornando rochas
Num prenúncio inusitado das viagens
 
(Climério Ferreira)

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