domingo, 10 de outubro de 2010

+poemação

A PAISAGEM & SEU REFLEXO
Climério Ferrreira

Para Edmar Oliveira


Quando na água, a paisagem é trêmula
Vulnerável ao círculo que provoca qualquer mergulho
Da pedra atirada ao pouso macio da gaivota
E, assim, de ponta cabeça as coisas mudam de lado

Uma coisa é a coisa e outra coisa é seu reflexo
O modo de ver é determinado pelo ângulo
Pelo lugar nenhum de cada um ao ver
E a mesma coisa vira seu oposto, se afirma ou nega

A mirada é informada e se produz pelo conceito
Pelo preconceito, pelo preceito, pelo efeito
Pelo aceito, pelo eleito, pelo defeito, pelo afeito
Pelo trejeito, pelo pleito, pelo direito, pelo suspeito

É que a paisagem nunca se impõe por si
É tida porque lida e declarada ao ser descrita
E passa a ser a descrição de si mesma
Mais do que o fato de ser o que de fato é

A paisagem, não se engane quem a olha:
É o cenário que a cultura crê
Que a história retém em seus períodos
E que a gente julga enxergar ao vê-la

Um comentário:

Unknown disse...

Estar conectado todo o tempo pode ser interessante, prático, às vezes prazeroso, mas não é nada criativo.
Viver ligado a uma multidão:gentes e informações bombando!
Pode ser sim divertido,mas certamente interfere negativamente no que as pessoas têm de melhor,mais natural, saudável e único:a maravilhosa magia da troca entre gentes.
Sem ela emburreceremos a cada dia. E de nada adiantarão as informações obtidas.
E não basta que a troca se dê virtualmente nos sites de relacionamenteo. É preciso olho no olho, toque de pele, alteração da voz. É preciso exercitar os cinco sentidos.