(Edmar Oliveira)
Barbosa, o goleiro da seleção de 1950 morreu marcado não
pelo orgulho que tinha de ser vice-campeão mundial, mas por ser culpado da
maior vergonha nacional de termos perdido do Uruguai em pleno Maracanã
inaugurado para a festa. No maior estádio do mundo, à época, acontecia a
derrota conhecida por Maracanazo. Nem as cinco vezes que fomos campeões
mundiais apagou o trauma e culpa colocada nos ombros de Barbosa, para diminuir
o mérito uruguaio e aumentar a nossa derrota.

O que teria acontecido naquele 7 a 1? Eu fico estarrecido
com os comentaristas de futebol e a velocidade com que mudam de ideia para
acompanhar o que se apresenta da caixinha de surpresas do futebol.
Comentaristas que antes do jogo concordavam com as alterações propostas pelo técnico,
logo após o resultado mudaram os seus argumentos para achar um novo Barbosa.
Desta vez está difícil. Houve um apagão em campo, que não foi modificado pelo
técnico. E que a nossa seleção era ruim, todos concordamos agora que Inês é
morta.
Mas naquela terça-feira fatídica acordamos todos otimistas.
Mesmo os que desconfiavam da seleção acreditaram na força da camisa amarela, no
hino à capela, na camisa doze da torcida, na vingança de jogar por Neymar
(tirado do time por uma entrada desleal do último inimigo vencido), na raça dos
nossos guerreiros, que naquele dia finalmente o Fred ia jogar (apesar de que já
era considerado o pior centroavante de todas as nossas seleções), entre outras
esperanças e ilusões que o futebol nos proporciona. Não contávamos com a
astúcia alemã e, como diria Garrincha, não combinamos com os gringos que
teríamos que vencer. E a sensação é que tivemos um pesadelo e ainda não jogamos
com os alemães. De fato não jogamos. Eles jogaram sozinhos.
Como não sou do ramo, e mesmo me considero um péssimo
analista de futebol, prefiro acreditar na magia do futebol, suas alegrias e
tristezas. E até compreendo mais as tristezas por ser um bom botafoguense. Mas
a magia do futebol é a sua incompreensão, o seu fenômeno que a todos ilude. E
força as discursões mais apaixonadas e incompreensíveis. O futebol é fenomenal.
Um mesmo time que joga por música pode desarranjar na lógica. E quando desarranja nada dá certo... A
Alemanha jogou nos nossos erros. São melhores, mas podia ser o contrário. Vão
dizer que não, teorizar. E aí fica mais fenomenal!
Eu só não sei é quando vai ser superado o Mineireich. Mas o
Barbosa do Maracanazo agora descansa em paz!
Um comentário:
Inspiração para a atual seleção alemã segundo o técnico Joachin Low: as seleções brasileiras de 1970 e 1982, o Barcelona e a seleção espanhola da copa passada. Alemães melhoraram seu futebol nos imitando e nós desaprendemos o quanto jogávamos bem. Nosso futebol é reflexo dos nossos dirigentes medíocres, corruptos, safados. O futebol dos clubes nacionais está péssimo, a população perde interesse, cada vez menos jovens o praticam e o esporte se empobrece. Consequência natural. Precisamos recuperar o futebol do país, para longo prazo, talvez para obter resultados só daqui duas copas.
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