domingo, 19 de agosto de 2012

Cantiga do sem-fim

Keula Araujo

São as filhas dormindo
sozinhas,
na minha solidão-relento,
sem casinha de sonho-sonhado.

Uma cama-largueza
Encosto-tristeza molhado.

É um tempo que trava,
gelado,
um jeito desarrumado
do peito respirar.

É um nó-cego apertado,
um lampejo-ciúme, um pecado.
Um amor cru, mal-passado
Que não foi, nunca será.
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a poeta voltou com um recado:
"Meu querido Edmar,
que estava me fazendo muita falta, é desnecessário dizer. Mas acredito que a poesia tem seu tempo e sua hora.
A seca durou, mas está decretado inverno em meu coração! (sendo eu nordestina, fica claro que isso é sinal de fartura).
Claro: você sempre estará entre os primeiros a quem mandarei novos poemas".


E o Piauinauta, orgulhoso, publica um inédito de Keula.

2 comentários:

Unknown disse...

Lindo! Que bom tê-la de volta, Keula! bjs

Assunção Sousa disse...

O poema é lindo, já falei. Fiquei feliz foi com a notícia de que estar decretado inverno no seu coração. Cheiro de terra molhada, frio ameno, som da chuva, tudo brotando, enxurrada lá fora e a vida ali dentro pulsando, quentinha. É isso. Vida plena, amiga.
beijos