domingo, 8 de março de 2015

o sumiço do carneiro

(Geraldo Borges)

Eu e meu  colega moramos em um pequeno apartamento. Somos estudantes. Vivemos de mesadas.
 Hoje ele ganhou um carneiro de seu pai para ajudar nas despesas da alimentação. Não temos lugar para guardar o animal. Pediu – me para acomodá-lo  dentro de um cercado vizinho  à casa de minha tia.
 Falei com minha tia, ela disse:
- Tudo bem.
Ele trouxe o carneiro puxado por uma corda. Abriu a porteira do terreno, amarrou o carneiro em uma estaca da e cerca, com a corda afrouxada para que ele pudesse  ter mais liberdade de movimento.
No outro dia seria  levado  ao matadouro.

Meu avô chegou de noite para  fazer uma visita ao médico. Parece que estava caduco. E de manhã  acordou muito cedo. As ruas vazias, os passarinhos cantando. Ele pensava que estava na fazenda.
Chegou lá fora, e avistou o carneiro dentro do cercado. Não estava acostumado a ver um carneiro sozinho dentro de um cercado. Sempre via carneiro em bando, o rebanho. Estranhou. Olhou para um lado e para outro. Não viu ninguém.
Abriu  a porteira do  cercado e soltou o carneiro. Que ele fosse procurar o seu rebanho.
Quando fomos pegar o carneiro para  o sacrifício  constatamos o fato. E saímos pelas ruas atrás de seu paradeiro. Se ao menos ele berrasse Mas o bom cabrito não berra Desapareceu. O que nos resta dele é apenas esta história..
   





Nenhum comentário: