Edmar Oliveira
Termômetros no Rio de Janeiro foram aos 50°. A sensação na
rua era de morte iminente por tão abafado e ardente se encontrava o ar. Falaram
em temperatura senegalesa, seja lá quão quente seja essa parte da África que
não conheço. Comparações com o Piauí só uma piadinha de que o clima assim
estava por ter chegado uma frente fria da nossa terra.
Em Teresina já andei em zig-zag nas ruas procurando uma
pontinha de sombra, que fica difícil ao meio dia. Já esperei ônibus em fila
indiana aproveitando a sombra do poste. A gente localiza um botequim pela
quantidade de chapinhas que entraram no amolecido asfalto e faz um tapete
brilhante no sol ou na luz do poste. A imagem deforma na rua, lá no horizonte,
pela evaporação da água que cozinha o asfalto. O teresinense tem mania de caixa
d’água para esfriar a água que sai de um cano quente na rua. Moleque nenhum
senta na escadaria da São Benedito com medo de fritar os ovos. Contam que a
carne seca é boa porque basta matar o boi. E ainda tem a história de um
plantador de uvas no quintal que encaixotava passas tiradas do paireiral.
E eu, criado em Teresina, pensei que o mundo estava acabando,
apenas com um retardo na profecia, e a gente assando feito um peru do Natal.
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Rio 50°: foto que circulou na internet. Vela azul broxante no natal: Cândido.
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