quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Estômago



O Piauinauta sobrevoa aquele estômago vazio dos piauiseiros na seca que está de acontecer de novo por essa era do século XXI. Hoje eu vi reportagem de gente que anda pra mais de duas léguas pra tirar água barrenta de um poço no sertão. Pensava que este século enterrava o outro. Ledo e ivo engano, Lêda minha conterrânea...

o homem e a faca

Edmar Oliveira

O homem tinha pra lá de medo do riscado da faca. O outro era valente de aventurança sertaneja. Onde a peleja importa o tino, o desafio. Não se fia por nada de motivos da política. Antes fosse amizade. Se macaco ou se soldado, importava primeiro a valentia que o lado de se posicionar na contenda. E de quem fosse amigo sincero nas armas de matar inimigo, que inimigo é contraponto pro amigo. O sincero, o querer bem de gostar como irmão fosse de sangue. Mas muito se fazia depender da convivência que até irmão de sangue vira pra outra banda. E quem tivesse na outra banda tava na ponta da faca. O outro era assim altaneiro e cabra de valentias testadas. O homem é que era morredor. E aí já perdeu a briga...

ABOIO

Geraldo Borges



De primeiro
Quando eu era menino
Meu pai foi vaqueiro
Do meu destino.

O tempo foi passando
E a boiada cresceu
Meu pai foi aboiando
Até que desapareceu.

Virei um boi velho
Girando o meu engenho
Na roda da vida

Sem ouvir conselhos
Apenas me empenho
Em jogar a partida.