quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Estrela de Belém

O Piauinauta, na noite de natal, viu riscar o céu uma estrela de Belém, que descambou lá pros rumos do sertão. Lembrou que Palmeirais, onde nasceu, primeiro se chamou Belém. Será que a estrela foi prá lá?
Feliz Natal pra todo mundo, que eu aqui sou feliz com Marcelina, Januária, Juliano e Janaina, meu particular espaço sideral.
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O Piauinauta sai numa quarta feira porque é Natal.Se você não aceitá-lo como presente bote debaixo da árvore. Alguem pode querer um presente qualquer.
OUTRO CONTO DE NATAL
para Viviane Fonseca
Aquele dia era diferente dos outros. Os carros buzinavam mais, as pessoas pareciam mais felizes, o sol era mais brilhante, o movimento de tudo era diferente dos outros dias. Foi fácil conseguir dinheiro para um refresco e um salgado no primeiro lanche do dia, antes da primeira hora de malabarismos no sinal. Nos outros dias, quase sempre, só conseguia comer alguma coisa à tarde. Foi de novo para o sinal e logo tinha grana pro almoço. Nem pensou em cheirar cola naquele dia. As pessoas, diferente dos outros dias
, não estavam irritadas, brigonas. Riam, abaixavam o vidro do carro. As crianças, muitas crianças dentro dos carros, davam adeusinho, num cumprimento de sorrisos. Como era criança também, daquela vez sentiu uma inveja sem raiva de estar dentro dos carros. Almoçou sem pedir. Descansou de barriga cheia, que era um cansaço gostoso e dava sono. Fazia tempo que não se sentia assim. Despertou com um ho, ho ho, de um gordo papai-noel que passava na carroceria de um carro, ao som de um gingo-bel natalino, pedindo para as pessoas comprarem um presente de última hora na loja tal, que ficaria aberta até muito tarde. Nem lembrava que já era natal. E não podia ir pra casa hoje. Não tinha presente, não tinha natal, não podia voltar pra casa. Devia droga a uns carinhas no morro e fugiu, jurado de morte. Estava perto, mas muito longe se não podia voltar. O pai não tinha, a mãe chorava e rezava por ele, tinha certeza. Anoitecia, as ruas se esvaziaram e ficou triste. O pisca-pisca das luzes de natal nos apartamentos em volta. A felicidade lá em cima e a tristeza cá em baixo na solidão da rua vazia. A tristeza da noite trouxe a penumbra das poucas luzes dos postes. Mas as luzes coloridas do natal, piscando nos prédios, eram estrelas de Belém em várias casas. Nenhuma estrela dizia que ele estava ali. Nunca ficou tão só. Cheirou cola e se sentiu melhor no meio daquelas luzes de natal. Sentiu até que elas desciam dos prédios para ficarem perto dele numa árvore de natal cintilante. Adormeceu sob a marquise e sonhou que a estrela de Belém ficava acima do morro em que tinha sua casa. E que os três reis magos levavam presentes para o morro. Mas ele não estava lá. Estava só, sem manjedoura, sem família, sem presentes, sem natal. Era um filho de Deus bem mais pobre que o outro...
