domingo, 18 de abril de 2010

Simão Indignado


Para reflexão, com um comentário. A consciência de cada um que faça o reparo
que quiser. São dois textos da 1ª página de O Globo de 09/04/10.

Primeiro texto (fragmento)

"*Acostumados a responsabilizar os pobres* *pelos desabamentos nas encostas*,
nos últimos 17 anos os sucessivos prefeitos de Niterói - além de
governadores do estado - *incentivaram,* por meio de projetos urbanísticos,
a ocupação irregular no Morro do Bumba, cujas casas construídas sobre um
lixão reíram, provocando a maior tragédia do estado."

Segundo texto (logo abaixo)
"Remoção vai ser obrigatória
O prefeito Eduardo Paes publicou decreto que vai permitir ao município *remover
os moradores de áreas de risco, à revelia deles."*
**
*Observem: ATO l : autoridades incentivam ocupação.*
* ATO II: autoridades removem moradores na porrada.*
**
E antes que me digam que um é em Niterói, outro no Rio de Janeiro, eu já
replico: essa política de insanidade é comum a todo estado, a todo país. Em
épocas pré-eleitorais eles liberam a ocupação, com um "plano urbanístico"
meia-sola, sobre entulhos de lixo e sem nenhuma preocupação com análises
ambientais e geológicas. Ganha a eleição, adeus viola, que se fodam os
pobres. Na ocorrência da tragédia, além de culparem a mulambada, baixam o
pau nos renitentes moradores e os deixam entregues à própria sorte.
As eleições estão aí . E não esqueçam, as eleições vem aí. PQP!

Simão

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Simão Curuca é o Presidente da Casa Lima Barreto, lançou um recente CD (Raiz do Bem) de sambas da sua lavras de qualidade excelente. O texto foi enviado por e-mail no dia que "O Globo" publicou as matérias.

Tem coisas que não mudam no Rio de Janeiro...




As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam no nosso Rio de
Janeiro, inundações desastrosas. Além da suspensão total do tráfego, com uma
prejudicial interrupção das comunicações entre os vários pontos da cidade,
essas inundações causam desastres pessoais lamentáveis, muitas perdas de
haveres e destruição de imóveis.

De há muito que a nossa engenharia municipal se devia ter compenetrado do
dever de evitar tais acidentes urbanos. Uma arte tão ousada e quase tão
perfeita, como é a engenharia, não deve julgar irresolvível tão simples
problema.

O Rio de Janeiro, da avenida, dos squares, dos freios elétricos, não pode
estar à mercê de chuvaradas, mais ou menos violentas, para viver a sua vida
integral.

Como está acontecendo atualmente, ele é função da chuva. Uma vergonha! Não
sei nada de engenharia, mas, pelo que me dizem os entendidos, o problema não
é tão difícil de resolver como parece fazerem constar os engenheiros
municipais, procrastinando a solução da questão.

O Prefeito Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento da cidade,
descurou completamente de solucionar esse defeito do nosso Rio. Cidade
cercada de montanhas e entre montanhas, que recebe violentamente grandes
precipitações atmosféricas, o seu principal defeito a vencer era esse
acidente das inundações. Infelizmente, porém, nos preocupamos muito com os
aspectos externos, com as fachadas, e não com o que há de essencial nos
problemas da nossa vida urbana, econômica, financeira e social.

*LIMA BARRETO - Correio da Noite, Rio, 19-1-1915.*


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Garimpado por Isa da Casa Lima Barreto. E o Prefeito Passos podia muito bem chamar-se Paes...

As Enchentes de que Lima Barreto falou





Se considerarmos que nesses últimos 30 anos aqui "choveu" algumas centenas
de bilhões ( sim, bilhões) de reais por conta dos royalties do petróleo e
nada foi feito, é possível que na enchente de 2080 "tudo continue como
dantes, no quartel de Abrantes". Quem viver(?) verá!


(Henrique Lira)