domingo, 8 de outubro de 2017

A DONZELA TEODORA


Trecho de SITIADO:

As folhas de carnaúba apareciam no
clarão dos tiros. Um estrondo maior fez tremer a terra em
que estava deitado. Parecia tiro de canhão. Após o estrondo,
os gritos lancinantes vinham da escuridão. Lembrou de uma
adivinhação da Donzela Teodora:

“...Donzela, o que é a vida?
diz ela: um mar de torpeza
o que pode assemelhar-se
à vela que está acesa
às vezes está tão formosa
e se apaga de surpresa”

A guerra continuava ao longe e um tropel de cavalos
chamou sua atenção para o outro lado. Mesmo na pouca
luz da lua, pôde distinguir perfeitamente os cavaleiros. Sem
dúvidas, Roldão e sua espada “Durindana” batiam-se ao
cavaleiro Oliveiros. A espada “Alta Clara” e a “Durindana”
tintilavam no cruzar dos movimentos dos cavaleiros. Aquela
batalha não estava nos livros de cordel que sabia de cor.
Os Pares de França travavam uma luta entre os iguais,
os cavalos relinchavam, mas era possível ver nitidamente
a cruz cristã na armadura de cada cavaleiro.

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