domingo, 16 de julho de 2017

Salgado Maranhão

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POESIA III

Não é o cais interdito
que nos insta,
é a nudez
da palavra
em teu vértice -- onde

urdes esta simetria
que se nos afere
o lugar de fera.


Gris é o sol
que cinde
a memória de um tempo
que sequer foi ontem.


Porém, tu cantas
onde os santos dormem
e o graal
serve aos mercadores.


(Porém, se cantas,
as estrelas tocam
teus milênios).


Ó selva enredada
de signos,
deixa-me arder
em teu reino sem superfície.


Sou apenas esta cordilheira
entre o ser
e o nunca. 


SALGADO MARANHÃO
(Do livro "A Sagração dos Lobos")

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desenho: Gabriel Archanjo

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