domingo, 14 de maio de 2017

o poeta e as flores



(Geraldo Borges)
                     
        
Manhã de sábado. Tinha acabado de ver o programa Feito em Casa de Cineas Santos. Logo mais sai de minha residência no bairro Aeroporto na companhia de meu filho, Amadeu Neto, para entregarmos as marmitas do nosso almoço na casa da senhora que nos fornece a boia, a um quarteirão de distancia de nossa casa. 

Quando íamos chegando, ao dobrar a esquina, o Amadeu avistou o Cineas. E disse: Olha ali o Cineas.

Na verdade, não era mais a mesma  criatura,  que, tínhamos visto, ainda, há pouco,  na televisão. Era uma figura fora da tela. Real. Não estava representando.

Ele estava  ao lado de seu carro, um Fiat. Achei  a sua presença, estranha,  ali, naquele local. E como se  tivesse saltado da tela para a realidade  Seus cabelos prateados brilhavam ao sol. 

Cumprimentamo-nos. Ele disse que estava fotografando flores silvestres. Notei que elas cresciam exuberantes, devido a força das chuvas e do sol, ali, por perto, no passeio da calçada. Flores silvestres do subúrbio que nasceram ali por obra e graça da polinização, como os lírios do campo. Depois  explicou-se dizendo que fotografar flores  era coisa de velho.

Aproveitei para me lembrar dos versos do final de um soneto chamado “Envelhecer” de Bastos Tigre. (quem se lembra de Bastos Tigre?)

Que a neve caia! O teu ardor não mude!
Mantém-te jovem, pouco importa a idade!
Tem cada idade a sua juventude...

Eu acho que o Cineas não quis dizer que estava velho. Nem todo velho fotografa flores. Eu se fosse  esperto, espirituoso, teria respondido direto  para ele. Coisa de poeta, meu velho.

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