domingo, 12 de fevereiro de 2017

Colonização






(Geraldo Borges)

Já reparaste caro leitor, talvez não. Que o Brasil não foi, verdadeiramente, colonizado pelos portugueses. Há controvérsias. Tudo bem. Que o Brasil tenha sido descoberto por Pedro Alvares Cabral. Que nos passamos muito tempo falando Tupi guarani. Que o escravo negro tenha dado uma grande colaboração para a nossa cultura culinária.   A ponto de restaurarmos a nossa feijoada. E também muitos batuques  musicais . Que a Bahia tenha sido a primeira capital do Brasil, que Minas Gerais, também tenha sido capital, Rio de Janeiro e finalmente Brasília, todas elas passando pela peneira de um caldo de cultura bastante diversificado. Nós temos o pão Frances, a batata inglesa, o apagão espanhol, a Olinda de Nassau, dos portugueses temos Os Lusíadas, que, embora seja uma maravilha da poética portuguesa, era o terror dos estudantes secundarista na metade do século passado.

Todo mundo conhece também a invasão holandesa no Brasil, as invasões francesas. E a invasão espanhola. Todos esses fatores históricos foram determinantes na formação cultural do Brasil e por isso mesmo influenciaram a nossa língua.

Bom. Os portugueses não deram aos brasileiros um sotaque, que dizer, um acento que singularizasse a nossa língua, como aconteceu com o português das ex-colônias da África. O nosso idioma está cada vez mais distante do idioma do nosso suposto colonizador. Em todas as regiões do Brasil o nosso idioma se diferencia em sotaques e étimos. Mas é parecido, quando absorve neologismos, galicismos, anglicanismo e flui como um rio cultural alimentado por muitos afluentes a ponto de descaracterizar o seu próprio leito.

 Quem não se lembra da vinda da família real portuguesa para o Brasil. Tudo por que Napoleão decretara o Bloqueio Continental. O que aconteceu? A corte tremendo de medo veio aportar no Rio de Janeiro ver o livro (Império à Deriva, A Corte Portuguesa no Rio de Janeiro,1808 -1821). A corte veio escoltada pela armada inglesa. Ninguém presta favor de graça.

” Fazia muito tempo que os britânicos vinham pressionando por essa alternativa, oferecendo-se para escoltar os portugueses na travessia do Atlântico, em troca de status de parceiro comercial preferencial do Brasil.”

“ Com a transferência da corte e do governo desaparecia qualquer simulacro de autodeterminação portuguesa, qualquer capacidade de negociação ou postura na Europa, à medida que um Estado antes respeitado mergulhava nas profundezas da obscuridade.”

Politicamente o Brasil era parte de um grande reinado, mas economicamente era administrado pelas multinacionais inglesas, daí derivam, até hoje, os nomes ingleses que foram se incorporado em nosso idioma; quanto a contribuição econômica que os portugueses nos legaram, a não ser exportar os produtos primários. No mais, eram donos de padarias e bodegas, e mascates. Aqui no Brasil quase não existe portugueses. Eles vieram correndo, acompanhados de ingleses e franceses. E, depois, quando a onda baixou na Europa, voltaram. Até mesmo D Pedro I que disse, eu fico, não ficou.

Mesmo assim devemos muito aos velhos navegadores portugueses. A Escola de Sagres, a literatura clássica, de cordel, a religiosidade. O folclore bocagiano e camoniano. Piadas e anedotas de brasileiros e portugueses. Dois povos que se comprazem reciprocamente em ridicularizar uns aos outros. Mas, finalizando, foram os ingleses que mais contribuíram para a formação da nossa literatura e nossa cultura, basta citar o nosso maior escritor, Machado de Assis, que assimilou criativamente Shakespeare e Laurence Sterne...

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