domingo, 29 de agosto de 2010

O Dragão de Comodo do Piauí












Esses camaleões passeiam num bar na beira do Rio Parnaiba, em Teresina. Quando mais você bebe, mais eles crescem...



Filosofia em Piauiês

Edmar Oliveira



Tenho ido vez em quando na terra. Nos terrais de Teresina. Nos quintais. Nos bares. A cerveja continua a mais gelada do Brasil. Só tem “empoada”. Na farinha, dizem outros. O diabo vem engarrafado numa nuvem de gelo e névoa, que o garçom (todos tem a mesma técnica) sacode pra cima e pra baixo, assopra no fundo, não congela, e tem o melhor gosto de cerveja gelada do planeta.


Mas se a cerveja continua gelada, o calor da cidade vai aumentando. Da última vez que fui, desesperei-me. Sem ter companhia e nada a fazer (minhas referências estão esmaecendo, quase já não as tenho) fui a um restaurante tomar uma, como se diz por aqui. Com tira-gosto de panelada, que ninguém é de ferro, sorvia a bicha (o trocadilho é por conta da parada gay que aqui se faz também e acontecia). Ao pagar a conta para continua a beber noutras paragens (que aqui só se faz isso), caminhei na rua sem saber que antes estava num ar condicionado. Sem nada a condicionar o diabo da rua vermelhidou. A sensação térmica dos meteorologistas estava nuns quarenta e tantos. Eu nunca tinha sentido tanto calor. E arreparem que sou da terra, dos quintais. Criado com o sol do equador, suas filhas, tudo em cima de mim. Mas não me agüentava. Fervia e a sensação de estar perto do inferno foi aumentando. Me perguntava o que podia esquentar Teresina tanto assim!


Sorte que encontrei logo ali no bar do Esdras (no Clube dos Diários, na Pedro II) o poeta, fotógrafo e filósofo Paulo Tabatinga. Comentando a situação de Teresina esquentar mais a cada ano, Tabatinga filosofou: “culpa das mulheres e da televisão. Pra ter mais tempo de ver TV, as mulheres não querem mais perder tempo em varrer os quintais. E elas são fofoqueiras! Se a vizinha não varrer seu quintal cai na boca da outra. Então – filosofou o mestre – para não ter folhas nos quintais elas mandam cortar as árvores. Aí o sol se esquenta mais. Só isso. Culpa das mulheres, da fofoca e da televisão!”.


Faz sentido...


A nudez de Simone de Beauvoir

Geraldo Borges





Eu sonhei com Simone de Bouvoir , nua, em preto e branco. Pena que não foi de frente. Ela estava de costas para mim olhando para um espelho, penteando os cabelos, vi seu pescoço macio. Mas de que adiantava tocá-lo, se não era verdadeiro. Apenas uma fotografia. Fui baixando os olhos para as curvas dos ombros, para as costas, para a cintura, a bunda, as coxas, e as pernas bem fornidas..Ela se virou e caminhou como uma sonâmbula para os meus braços. Depois acordou e me beijou, e sabe mais o quê. Existencialista que era com toda a razão não ia me negar o prazer de seu corpo tatuado de letras e filosofia. Eu prometeria a ela que leria todos os seus livros, aliás, faria uma releitura, e me dedicaria dali em diante até o fim de minha vida a sua obra. Via-me em Paris, num bulevard, beira do rio Sena, nós de braços dados. Eu ela e Jean Paul Sartre.




O filosofo me entregou sua amante na bandeja. Um pobre brasileiro em Paris, sem lenço nem documento, comendo uma das maiores escritoras francesa, gozando a pele macia de uma feminista. Naufragando em seus olhos aguados. Quem diria?




Simone está aqui em minha frente, nua. Nem ao menos pressentiu a minha presença. Vou pega-la por trás. Não importa o susto que eu possa lhe dar. Mas o que adianta se ela já esta morta. A única coisa que posso fazer agora é pegar uma tesoura , recortar a foto e guardá-la dentro do romance a Convidada . Recorto a fotografia e acordo. Mas quando a procuro para botar dentro do romance não a encontro.

ninho



Ana Cecilia Salis




Você mostra lá longe
e eu vejo...
Você me morde
e eu choro...
Você me sopra
e eu durmo...
Você me lambe
e eu gosto...
Você me ama
então
eu vivo...

O Pereba


1000TON


Engraçado. Ninguém mais fala da copa do mundo de futebol. Também não me empolguei muito durante. Gostei mais da briga do dunga com a globo. O nosso treinador estava mais preparado para o embate contra o mala do Galvão Bueno, do que guerrear no campo de batalha, bem representado ali pelo seu


fiel escudeiro Felipe Melo, “o botinudo”....Também pudera! O ungido *speaker* platinado global queria escolher, não só o treinador do escrete canarinho, como também os nossos jogadores, ora vá catar coquinho, meu chapa! Aqui tem *gautcho matcho*, tchê !


No embate com a globo o dunga se saiu muito bem, sabia? Gostei da mijada que ele deu na Fátima e no Teixeira, jogou mesmo um bolão, só que lá na verdejante arena ele só comeu foi grama, coitado!


Futebol, para mim, sempre foi uma coisa muito complicada. Muita gente deve saber o que é ser um *pereba,* na hermenêutica do *football*, significa aquele cara que não leva o menor jeito para o jogo da bola.


Pois bem, Eu era O pereba. Quando menino, até mais ou menos a adolescência, além de não possuir nenhum dom futebolístico, eu sofria de uma alergia braba (hoje já sofro menos), além de asmático, tinha a minha pele coberta por eczemas, feridas feias, alojadas principalmente nas juntasdos braços e pernas.


Imaginem o meu drama: pereba no corpo e pereba da bola!...Eu me sentia como se fosse uma fratura exposta ambulante, ou como um zumbi cheio de feridas repugnantes, que, não se sabe por que cargas d’ água, não havia ainda sido enterrado.


A garotada dava a vida pela bola, e eu não resistia a uma pelada, mesmo carregando as minhas sofridas mazelas. Na hora da escolha dos times eu passava por momentos horripilantes.


Os bambambãs se apresentavam e iam escolhendo seus melhores jogadores: tiravam par ou ímpar, o ganhador escolhia primeiro o seu preferido, o segundo escolhia outro, voltava o primeiro a escolher e assim por diante, até o último ser convocado.


Meu coração bumbava descompassado, cada vez mais, à medida que todos os meninos iam sendo escolhidos. Os menos habilidosos, no trato da pelota, iam ficando para o final, no meu caso, eu vivia O Juízo Final, realmente!


O último de cada lado, normalmente, já não jogava xongas, mas era incluído, quase que por pena, pelos capitães, pois, se estava ali no bolo, e era amigo da gente, merecia jogar também, por que não? Que seja assim.


Assim como? Ora, quem sobrasse - e eu, o Guga e o Preguinho sempre sobrávamos - para a gente querer jogar, só havia uma alternativa: pegar no gol. Esse era o destino inexorável dos perebas, que sequer, eram convidados para jogar na linha.


Arrasados e cabisbaixos, lá íamos os dois, eu e o Guga, para cada extremo do campo, cumprir a nossa, nada gloriosa missão, a de tentar agarrar as bolas chutadas pelos craques.


E o Preguinho? Não esqueci do Preguinho, não.Vou lhes contar: O Preguinho era muito baixinho e magrinho e nasceu com um defeito congênito: tinha o pé e a perna esquerdos menores que os do lado direito.


Ele era sempre o último a ser escolhido, e sofria ali, firme, até o fim, lado a lado com a gente, os perebas, mas era um felizardo.


Conseguia ser convocado para jogar na linha.

poemicro

A ARTE DE CRIAR

É impossível criar

A quem não se permite o devaneio

(Climério Ferreira)


Convento de São Francisco, João Pessoa da Paraíba









Presente de Grego

Cinéas Santos



Antes mesmo do aniversário de Teresina (16 de agosto), a cidade recebe e agradece o “presentão”, louvado na mídia local como algo extraordinário. Engana-se quem, porventura, estiver pensando no tal "mirante" da ponte estaiada, na vigésima “reinauguração” da "Potycabana" ou em coisa parecida. A cidade está exultante com a inauguração de mais um
supermercado na zona leste da cidade. Novidadeiro como ele só, o teresinense atendeu ao chamado do “progresso”: lota o gigantesco estacionamento e faz filas para conferir mercadorias, preços e prazos. Segundo uma cidadã bem-nascida que ostenta, com orgulho, um sobrenome pomposo, “Teresina,finalmente, ganha ares de cidade moderna, livrando-se do rótulo provinciano de Cidade Verde”. Acertou em cheio. Para a construção do novo templo do consumo na capital, derrubaram-se dezenas de árvores centenárias. Da noite para o dia, mangueiras, jaqueiras, oitizeiros e cajueiros foram reduzidos a pó. Onde, até bem pouco tempo, havia um dos clubes mais tradicionais de Teresina, com piscina, campo de futebol e espaçosa área verde, ergueram-se galpões modernosos, com cores berrantes, abarrotados de quinquilharias. Este parece ser o destino de todos os clubes da capital (Flamengo, River, Piauí,Tabajara, Classes Produtoras, etc). Neste ritmo, em dois ou três anos, não
sobrará um.


É extraordinário o esforço que os teresinenses vêm fazendo no sentido de despir a capital do tal rótulo “Cidade Verde”, cortesia do escritor Coelho Neto, na década de trinta. Até onde sei, ainda não se fez um levantamento de quantas árvores são derrubadas em Teresina a cada dia. O tal “cinturão verde” da capital, há muito, tornou-se um amontoado de “vilas”, eufemismo usado para designar as favelas da capital. Quintais e chácaras dão lugar a edifícios de nomes sofisticados ou condomínios fechados que usam como chamariz o anzol da “segurança”. O que se vende não é um produto, mas uma ideia, uma grife, uma expectativa que não se cumpre. “Morar bem”, segundo o conceito dos expertos, é enjaular-se num apartamento com ar condicionado em cada um dos cômodos, circuito interno de televisão, porteiro eletrônico e toda a parafernália que engorda o faturamento da indústria do
medo.


Compreensivelmente, todas as praças de Teresina estão às moscas, exceto as dos shoppings onde existem ar refrigerado e “segurança”.
O teresinense já não consegue viver ao ar livre e, a cada dia, vai-se tornando refém do “clima artificial” e do medo que, como diria o poeta, “esteriliza os abraços”. Só assim se explica a sofreguidão com que recebe de braços abertos os presentes de grego que nos chegam a cada dia. Brava gente. Pobre gente.

Forte dos Reis Magos, 1599, Natal do Rio Grande do Norte












Edmar por Netto



Tipicamente Americano

Aderval Borges




Cá estou nesta besta siesta muy braba, cansado como um bode velho, sonhando em tomar umas tantas pra deixar vir à tona o bode endiabrado, e vejo pela web o velho e bom Robert Crumb vomitando seu nojo pela Gringolândia, onde nasceu e se fez.
Nada tão “tipicamente americano” (como dizia o Caetano). Os Isteitis são um histórico paradoxo. Entre seus trocentos contrastes, nada mais natural que um dos seus mais característicos artistas detestem o próprio país e queira se ver longe de tudo que representa.
Crumb – vive há décadas na França – não é o primeiro a cair fora. Muitos fugiram de lá – Pound, Eliot, Fitzgerald, G. Stein, Hemingway, Henry Miller, Hendrix (despontou em Londres) etc. –, outros tantos se isolaram para conseguir viver por lá (Whitman, Poe, Lovecraft, Charles Peirce, Faulkner, Salinger, Hunter Thompson e tantos outros). Mas, de qualquer forma, os out e os in compuseram, no conjunto, a melhor literatura moderna.
A Gringolândia foi construída sob paradoxos. Guerras e mais guerras pra se declarar a pátria da liberdade. Uma sociedade na qual a liberalidade convive com o mais tosco conservadorismo. Os direitos humanos com os piores crimes e as piores formas de preconceito. É o presumível pilar de democracia mundial, mas, ao mesmo tempo, é a nação mais inclemente, intolerante, perversa e agressora.
Como bem descreve o poema do Caetano: é a terra do supremo e do banal. Do belo e do horrível. Onde tudo pode e não pode ser.
“Não quero voltar aos Estados Unidos. Tenho vergonha de dizer que sou americano.” É o que Crumb diz agora. Mas onde poderia surgir um tipo como ele, que criou “Fritz the cat”, “Mr. Natural” “Freak Brothers” e aquelas bundudas enrabadiças todas, senão lá?
Crumb, na mesa do evento em Parati, faz seu mea culpa e causa constrangimento a todos, em especial a seu editor no Brasil que bancou sua viagem e estadia:
“É bizarro. Me vejo como alguém que não deve ser levado a sério. Me dá medo ser levado a sério. Por que estou aqui? Só fui convidado porque essa porra toda é um negócio.”

Vácuo

Pedro du Bois



O vácuo
ambiciona
o espaço:

esvaído em nada
contempla a incapacidade:

o vácuo é a demora.



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leitor do Piauinauta, Pedro manda uma colaboração

Filmografia Besta

NEM OITO NEM OITENTA E MEIO


Para Cineas Santos

Quisera fazer um filme
Sobre um filme que eu estivesse filmando
No qual resgataria meus fantasmas:


A velha diretora do grupo escolar Barão de Gurguéia

(Que servia chocolate quente com bolacha Maria);


O louco oficial da minha cidade
(Julgando-se herói de seriado, se atirava da ponte
Vestindo a batina, que roubou no seminário.
A batina era do padre Zé Maria

Professor de latim);


O político ingênuo
(Que projetava filme de bangue-bangue
Em praça pública, numa tela transparente,
Que a gente via ao contrário – o que transformava
Os pistoleiros em atiradores canhotos)


A velha enfeitada
(Que dançava pela rua, cheia de cores e trancelins,
Argolas, miçangas, para alegria da meninada
E vergonha dos seus familiares);


O velho e raquítico ateu
(Que pregava desesperadamente a inexistência de deus,
A falsidade do céu, dos anjos e do inferno,
E ria desbragadamente da crença alheia);


O senhor de chinelos e de pijama
(Que, repentinamente, sem mais nem menos,
Sapateava e mordia os dedos nervosamente);


Na trilha: um auto-falante derramava nostalgia
Tocando valsas dolentes às seis da tarde.


(Climério Ferreira)

Cola Guaraná Jesus



Uma anedota maranhense afirma que, no Estado, o primeiro significado da palavra Jesus é um refrigerante. A brincadeira reflete um fenômeno que começou local, tornou-se famoso no Brasil e agora se apresenta ao mundo: o guaraná Jesus, segundo refrigerante mais consumido no Maranhão (atrás apenas da líder global Coca-Cola). A folclórica bebida cor-de-rosa ganhou a medalha de ouro de melhor estratégia de marketing no Prêmio Internacional de Excelência em Design, o Idea, a maior premiação mundial de design. A campanha vencedora ocorreu no fim de 2008 para renovar o visual da lata. A tarefa não era simples, já que a bebida angariou, ao longo de décadas, fãs entusiasmados.
O guaraná Jesus, criado em 1920, enraizou-se no gosto maranhense. Com pouquíssima propaganda, tornou-se quase um símbolo cultural do Estado. Ele deu origem a um subsegmento, o guaraná rosado, comum também no Piauí e Pará. Nos últimos anos, seu nome engraçado e sua cor fascinante ganharam simpatia Brasil afora. Há centenas de comunidades bem-humoradas a seu respeito no Facebook e no Orkut. Vídeos no YouTube brincam com o refrigerante em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Curitiba e outras cidades espalhadas pelo país – o tipo de tratamento espontâneo e alegre que empresas gastam milhões para conseguir. Há muito mais gente que fala sobre a bebida do que gente que já experimentou mesmo seu sabor muito doce, com traços de cravo e canela (a fórmula exata tem uma aura de mistério), mas os apreciadores reais não só existem, como se organizam para “importar” as latinhas do Maranhão. Por isso, renovar a lata sem incomodar os fãs seria um trabalho delicado. “Em marcas que são ícones, como o Jesus é no Maranhão, o desafio é manter a ligação emocional com os consumidores”, diz Leonardo Lanzetta, diretor executivo da agência de publicidade Dia, que montou a estratégia de marketing premiada. Em outras palavras: uma mudança desastrada faria com que o bebedor de Jesus não reconhecesse mais o produto que lembra sua infância, adolescência e tempos felizes.
Os publicitários fizeram uma campanha estadual com três propostas de novos desenhos para a lata e pediram votos dos fãs. Usaram a internet e mensagens por celular. Três pessoas fantasiadas de latinha – uma de cada opção – passearam por São Luís, brincaram com os passantes, visitaram colégios e entraram em casamentos, sempre recebidas com festa. O modelo vencedor lembra outro símbolo do Estado, os azulejos coloniais portugueses de São Luís. A Coca-Cola, que havia comprado a marca em 2001, esperou para fazer mudanças sem quebrar a ligação nostálgica dos bebedores com Jesus. “Foi um grande mérito da campanha. Os consumidores sentiram que a marca pertence a eles, e não à Coca-Cola”, afirma Júlio Moreira, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing e especialista em marcas. Desde a campanha, as vendas do refrigerante cresceram 17%, segundo a consultoria Nielsen.
O resultado certamente teria agradado ao criador da bebida, o farmacêutico Jesus Norberto Gomes – que era ateu, foi excomungado e morreu em 1963. O guaraná resultou de uma tentativa frustrada de fabricar um remédio. Deu errado, mas os netos do farmacêutico adoraram o xarope. Nascia um produto vitorioso.


ABD/PI
NUCLEO DE PRODUÇÃO DIGITAL FOTÓGRAFO JOSE MEDEIROS
PONTO DE CULTURA ABD/ANTARES
http://npdpiauilfotografojosemedeiros.blogspot.com/




Neste desenho animado de 1950, o Pato Donald é apresentado ao recém-criado Zé Carioca e às atrações do Rio de Janeiro. Foi feito pelo próprio Walt Disney. Os produtores acharam muito ousada e jamais permitiram que a exibisse. Vejam a beleza das imagens quando o Pato Donald prova a cachaça brasileira. Detalhe: Disney o fez todo na munheca, quadro a quadro, sem o uso de computadores.


Para assistir, clique no link abaixo:


http://www.almacarioca.com.br/arte070.htm


(Aderval Borges)

domingo, 15 de agosto de 2010

PELO ANIVERSÁRIO DE TERESINA (16 de agosto)








A Teresina que amo tá mais dentro de mim. Olhando-a, a modernização me incomoda. Não gosto da Ponte Estaiada atravessando o morro do Urubu. Não gosto dos shoppings que se fincaram no outro lado do Poty, dizendo que toda capital é igual às outras. Não gosto dos prédios que nasceram na zona leste para humilhar a Ladeira do Uruguai. E entristece o Parnaíba serpenteando, sufocado por bancos de areia, quase parado como se morto já fosse. Detesto o cheiro dos esgotos desses prédios que mataram as piabas do Poty. É triste de ver doentes do sertão deixando suas economias entre o vidro fumê das empresas médicas e as pensões miseráveis do entorno ao afamado Pólo de Saúde da capital do interior. Fico preocupado com um metrô trepado num horroroso viaduto de um trilho só em frente ao mercado velho, ancorando no cais e espiando o “Troca-Troca”. Não sei por que repetiram as pernas tortas do viaduto do Mafuá na ponte do centro da cidade pra Timon.



Tenho saudade da Maria Tijubina, do cachorro-quente sem pão, da garapa do Caçula com um pão massa fina, do Bar Carnaúba, do Beco do Alberoni no Mercado Velho, do bar do Ulisses, do Manel Avião, da Nicinha, do Bibelô.



Mas acho fenomenal o bom humor do meu povo, o “Ai, que vida!” do Cícero, o matrinchã do Encontro das Águas e nem me incomodam as muriçocas no pôr do sol maravilhoso que se esconde no Maranhão. Acho belo quando está bonito pra chover, quando o corisco atravessa a chapada, quando a chuva vai embora pro Maranhão atravessando a ponte metálica como fazia o trem de ferro do passado. Gosto da panelada, da mão de vaca, do porco guisado, do bode no leite de coco, do cuscuz de milho do beiju com azeite de babaçu, da Maria Izabel, da paçoca, do feijão verde. Mas gosto por demais do olhar atravessado dessa morena faceira que atravessa a praça Pedro II...

Transfiguração



Lilia Diniz



As casinhas de palha e taipa
me comovem
como o pantanal
a Manoel de Barros

Dentro delas
me sinto que nem
gongo de coco babaçu
ignorando a fome do machado

Me penso feto
abraçado pelas palmeiras
aquecido pelas mãos da terra
que nem ovo de lambú
chocando para nascer

Suas portas
de estreitas esteiras
facilmente jogam abaixo
minhas grades de ferro
enternecendo meu riso desenxavido
trazendo aos meus pés
a alegria dos pés das galinhas
em bascui de arroz
ao pé do pilão



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pensem numa poeta porreta do interior do Maranhão. E Lilia, num só poema, não economisa nas imagens. maravilhoso!!!!!!!!!!!!!!



DESARVORÊI, DESARVORÊICHON, CHON...



1000TON


Resultado: o Brasil não deu bola para o tal “dever de casa”, que, em última análise, era meter o pé no freio desenvolvimentista e cresceu 9%, do primeiro trimestre de 2009 para cá, eu disse NOVE POR CENTO, meu camarada.
Tem muita gente desarvorada, por aí...
A Regina já está se borrando de medo outra vez.
Os âncoras da CBN, aquela “RÁDIO QUE TROCA A NOTÍCIA” estão apavorados. Os contumazes consultores para qualquer assunto, ligado a pânico ou crise no atual governo, estão ficando sem munição para sustentar a candidatura do Zé-mantenham-se-longe-do-nariz-dos-pôrquinhos.
Eu citei esse pessoal aí em cima para informar-lhes que, desesperados com a possível vitória da Tia Dilma, e pior, com a possível volta do nosso analfabeto líder em 2014, eles tentaram marcar uma audiência com o Preto Velho Benedito, aquele nosso querido pai-de-santo que anda meio escondido, à beira do Jequitinhonha, lembram?
O encontro teria como objetivo botar uma mandinga bem trabalhada no caminho do presidente criador e da sua criatura.
Pois é, agorinha mesmo fui informado que o ancião macumbeiro falou com todas as letras: no meu barraco num recebo bunda-mole nenhum não, mormente aqueles que qué botá o nome de Luiz Inácio na boca do sapo....
O Preto ainda acrescentou: esse cabrinha da peste muita vêis pode fazê umas safadeza, como todo muito faz, mas que tirou um bom naco daquele povo tão sofrido lá do nordeste dum baita perrengue, lá isso tirou sim.
Benedito ainda confessou que não é tão apaixonado assim pelo presidente Lula, mas por ele tem muito respeito, e tem muito mais raiva daqueles branco azedo rico que não aceitam um paraibinha de pôca instrução como liderança de um brasilzão dexe tamanho.
Prosseguiu o nosso velho: E eu sempre aviso prele: Suncê tá muito saidinho, muito amiguinho dos banquero, viu? E toma muito cuidado cum esses coisa rúim qui anda junto cum suncê. Suncê, num demora muito, se já num tá, vai ficá mais ainda é todo abisuntado de lama, qui nem esses bando de cachorro ladrão. Lá no Maranhão, terra de uma gente probrezinha que ela só, fez conchavo cum aquele bigodudo safardana, dono até de uma ilha, a ilha de Curupu, naonde verve tamém a sua filha Roseana, que não vale um tustão furado, que nem o pai dela. Vê se toma tenência Luiz Inácio!...
E por esses dias, não é que eu fiquei sabendo: o Muçulmânico Presidente Obama, veio, de novo, ter uma palavrinha com o véio preto, juro (vocês devem se recordar daquele primeiro obâmico encontro, no qual o ancião deu uns puxões de orelha no presidente dos EUA).
Dessa vez foi para saber de Benedito como sair duma baita enrascada, da camisa de sete varas que o nosso pau-de-arara lulinha meteu ele dentro.
Vocês sabem, estou falando do apoio que o Brasil está dando à causa palestina e daquele episódio dos uranianos , digo, dos iranianos, que têm todo o legítimo direito de avançar no domínio da tecnologia de enriquecimento do urânio.
Per omnia secula seculorum...AHMADINEJAD... Amém!...

Coleiras



Ana Cecilia Salis




Não suporto as gaiolas...
a privação de ar...
ou as correntes nos pés...

Não tolero a escravidão...
a serventia voluntária
dos ouvidos sujos...

Não me submeto às coleiras...
ou à domesticação dos sentidos...

Prezo...
e rezo,
por todos os homens livres
pela exaltação das almas!
pela dignidade dos bons encontros...

é que não suporto as coleiras...
e não gosto de quem delas
faça uso...
ou de quem as ofereça!

não suporto coleiras...
e ainda menos...
a cruel deslealdade

de quem as identifique
nos desejos de quem faz
do amor cativo...
um convite sereno
ao uso simples das vontades...

Da sala pro porão

Aderval Borges

.

No período da ditadura militar, os artistas, intelectuais e profissionais de imprensa tiveram de ter muito jogo de cintura pra driblarem a cuja. Muitos bateram o pino por não aguentar a barra pesada. Ou seja, piraram, se mataram ou enfiaram o pé na jaca com muita birita e drogas. Infelizmente, entre estes estavam alguns dos melhores. A lista dos que se deram mal com a repressão e a falta de liberdade – inclusive para meramente trabalhar – é grande. Nela, óbvio, se inclui Torquato Neto. Mas, por momento, vou lembrar o capixaba Sérgio Sampaio, cujas imagens foram mostradas na última edição do blog Pianauta.
Sampaio vem da terra da terra de Roberto Carlos, Cachoeiro de Itapemirim. Herdou do pai, o compositor e fabricante de tamancos Raul Sampaio, o gosto por vários gêneros musicais: samba, chorinho, modinha, marcha, marcha-racho, etc. Compôs de tudo um pouco, inclusive rocks e blues. De “seo Raul” gravou a ótima Cala a boca, Zebedeu.
Mudou-se pro Rio justamente em 1967, quando o AI-5 era aprovado pelos milicos, para tentar a vida como locutor de rádio e cantor-compositor. Lógico que procurou Roberto, mas este não lhe foi acessível. Razão pela qual compôs a seguir Meu pobre blues, esculhambando-o. Mais tarde se conheceram e Roberto, embora já o admirasse, não aceitou a oferta de Feminino coração de Deus. Gostou da canção, mas não do trecho “o coração de Deus é uma criança/que dança sobre todos os sexos”.
Com Raul Seixa, Edy Star e Miriam Batucada, realiza, em 1969, o show Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez, em contraponto à Tropicália – de Gil, Caetano, Tom Zé, Gal, Nara Leão, Torquato, Rogério Duprat e Mutantes – porém em tom de anarquia e deboche.
O disco do show só saiu em 1971. Trata-se de uma verdadeira sessão de escracho musical, uma coleção de pastiches de rock, samba e outros ritmos, com letras sarcásticas, entremeadas por piadas e sátiras ao cotidiano em forma de vinhetas malucas. E – o que soou pior – com muita ironia ao autoritarismo no poder.
A partir de 1972, Sampaio forma parceria com o ótimo violonista Renato Piau – do Piauí–, que viria a tocar (ainda toca) com Luiz Melodia, entre tantos outros. Nessa época torna-se colega de copo e de outras coisitichas de uma turma barra pesada (não vou citar nomes, porque isso não vem ao caso). Quando Torquato se apaga, em novembro de 72, compõe para ele este belo blues:
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Que loucura

Fui internado ontem
Na cabine cento e três
Do hospício do Engenho de Dentro
Só comigo tinham dez
Estou doente do peito
Eu tô doente do coração
A minha cama já virou leito
Disseram que eu perdi a razão
Tô maluco da ideia
Guiando carro na contramão
Saí do palco e fui pra plateia
Saí da sala e fui pro porão
.
No mesmo ano, faz sucesso com a marcha Eu quero é botar meu bloco na rua, apresentada no VI Festival Internacional da Canção.
Mas sucedem-se, a partir daí, uma série de problemas. É preso seguidas vezes, por desacato de autoridade, porte de drogas, bebedeiras e brigas. Contrai tuberculose devido à rotina desregrada e boêmia. Tem letras censuradas, o que atrasa o lançamento do LP de 1973. Seu perfil despojado, “banderoso” e mordaz o coloca na lista dos “malditos” – embora nunca tenha pretendido isso.
Mesmo assim, lança em 1975 o segundo LP, no qual está o ótimo choro Velho bandido, em tom de autoironia:
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Velho Bandido

Eu que sou filho de um pai teimoso
Descobri maravilhado que sou mentiroso
Sou feio, desidratado e infiel, bolinha de papel
Que nunca vou ser réu dormindo
E descobri como um velho bandido
Que tudo está perdido neste céu de zinco
Eu que só tenho essa cabeça grande
Penso pouco, falo muito e sigo pr'adiante
Descobri que a velha arca já furou
Que não desembarcou
Dançou na transação dormindo
E como eu fui o tal velho bandido
Vou ficar matando rato pra comer
Dançando rock pra viver
Fazendo samba pra vender... sorrindo

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Em 1978, mais problemas: descobre a pancreatite. A essa altura, é um compositor admirado pelos músicos, mas desconhecido pelo público. Por isso continua duro. Quando a ditadura acaba, na primeira metade da década de 80, encontra-se afastado de tudo, na ilha de Itapuã, Bahia, mas sempre compondo. Nesse período, Erasmo Carlos grava a canção recusada por Roberto:

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Feminino coração de Deus

O coração de Deus é feminino
É a força de toda a criação
Capricho do destino, a Mãe da Invenção
O coração de Deus é uma criança
Que dança entre os sexos
É a força do Universo, uma eterna canção
E como é forte o feminino coração de Deus
O coração de Deus não tem segredos
Nem medos, só histórias bonitas
Carícias pequeninas para quem o quiser
O coração de Deus bate comigo
Me ensina e me ajuda a viver
Me dá matéria-prima para amar a mulher
E como é forte o feminino coração de Deus
Em 1994, a convite do selo paulista Baratos Afins, grava um CD de inéditas, só ele e o violão, dentre as quais se inclui o ótimo chorinho abaixo:

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Polícia, bandido, cachorro, dentista

Eu tenho medo de polícia, de bandido, de cachorro e de dentista
Porque polícia quando chega vai batendo em quem não tem nada com isso
Porque bandido quase sempre quando atira não acerta no que mira
Porque cachorro quando ataca pode às vezes atacar o seu amigo
Porque dentista policia minha boca como se fosse bandido
Porque bandido age sempre às escuras como se fosse cachorro
Porque cachorro não distingue o inimigo como se fosse polícia
Porque polícia bandideia minha boca como se fosse dentista

Em abril do mesmo ano comemora aniversário no Rio cercado pelos amigos: Sérgio Natureza, Renato Piau, Chico Caruso, Luiz Melodia, Jards Macalé e outros. Em maio, morre de pancreatite – a mesma que matou seu coleguinha Raul Seixas.
Deixou cerca de 60 canções e pelo menos umas 20 muito boas. Mas, não fosse a vida tão atribulada, perseguida e sofrida, certamente chegaria a muito mais.
Valeu, Sergião!

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Que fique como epitáfio sua mais popular marcha-rancho:
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Eu quero é botar meu bloco na rua

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou
Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender


Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero é todo mundo nesse carnaval...
Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender

Um Olhar da Cronista

Climério Ferreira

Para Conceição Freitas


Os ex-homens se juntam
À beira da nossa indiferença

E sobre o bueiro agora mesa
Traçam um churrasco solidário

É tão solitário ser eles
Que despojados de tudo
Unem seus trapos coloridos
Que os protegem do nosso medo

E à mesa posta sobre o esgoto
Alegram-se com a alegria
Dos que nada têm a perder
Ignorando o olhar humano
Da cronista que os eternizam

Sinhá Olímpia



Nhá Olímpia era fidalga
na Vila Rica de outrora
Desencantou-se aos quarenta
Virou figura folclórica

.

Andarilha das sete saias
sabia muitas histórias
Sua foto descorada
em Ouro Preto pairava

.

Sua história foi cunhada
Emaranhada entre tantas
mulheres fortes das Minas
Gerais, de ouro e prata

.

No caldeirão do vale
Onde a névoa faz pousada
De manhã cedo e à tardinha
Nhá Olímpia reinava

.

De chapéu de abas largas
com fitas, plumas, barbante
Com sua cestinha nos braços
e um cajado, imponente

.

Irritava os poderosos
De seus segredos ciente
Inventava outros tantos
e os espalhava, contente

.

Foi mandada a Barbacena
Pro hospício foi mandada
Tomar choques e remédios
Suplício pra ser calada

.

Voltou doída e mendiga
mas não perdeu sua aura
de fidalga de outras eras
princesa trancafiada

.

Aos estudantes, turistas
e passantes. reclamava
alimento e roupa quente
que com pobres compartilhava

.

Em troca suas histórias
correram mundo e fronteira
a figura colorida
a fantasia certeira

.

Até na escola de samba
Nhá Olímpia virou moda
Quando morreu, fez-se mito
As sete saias de roda

.

N.Sra. do Rosário
Vela por sua figura
que ainda ronda Ouro Preto
cajado na pedra dura
____________________
garimpado por Sacha

Em Tempo II

Paulo Vilhena



As pessoas desapareceram das calçadas


os fios de bigode enbranqueceram


os abadás coloriram as batinas


as praças se entregaram aos corretores.



Os canários foram trinar muito longe


os pequenos bordéis faliram


as meninas de programa foram banidas


e liquidadas pela concorrência classe média.



As árvores foram concretadas


as funerárias viraram investimento


as casas foram substituídas


por vidros e concreto europeus.



Só nos poucos botequins


restou a possibilidade


de sorrirmos e agradecermos a Deus


por fazer de conta que somos felizes.



poemicro

*TEMPO PERDIDO*



O tempo passou por mim

Eu o perdi e nunca mais me encontrei



(*Climério Ferreira*)

Ondjaki por Netto



O cartunista piauiense Netto com um trabalho sobre Ondjaki. Veja o blog de Netto: BloggerFÓLIO

Remédios do Mato

Gisleno Feitosa

.

Matuto busca assistência,
Quando está em fim de linha;
Enquanto tiver paciência,
Vai se vendo com a meizinha.

.

É um chazinho, compressa,
Um bochecho, um lambedor.
Matuto bom não tem pressa
Em procurar um doutor.

.

Há na flora brasileira
Cura pra muita mazela.
E a cambada estrangeira,
Não tira os olhos dela.

.

Pra curar o tal sapinho,
Passe o mel de uma abelha
Num pano ou com o dedinho,
Em cada mancha vermelha.

.

Chá de semente de alho,
Pra ameba é tiro e queda.
Se a ferida é um talho,
Pó de café arremeda.

.

Pomada de aroeira
Cura até bicho-de-pé.
Matuto mata bicheira
Com creolina e rapé.

.

No cansaço e no puxado,
Chá de folha de alecrim;
Além do peito apertado
Trata a memória ruim.

.

A raiz da jurubeba
Cura qualquer anemia
Resultante de ameba
E de comer porcaria.

.

Chá da flor do sabugueiro
O diabetes reduz,
Se você não tem dinheiro.
Evite açúcar e cuscuz.

.

Atar no membro lesado,
Faixa úmida, amarela,
Com emplastro escaldado,
Em caso de erisipela.

.

Pro casal meio esquecido
Comer testículos de boi
Dá sustança ao marido,
Basta a mulher dizer: ôi!

.

Há mais remédio do mato,
Na medicina popular.
Por isso digo e acato:
Se Deus deixou foi pra usar!

____________________________

Gisleno lembrou de seus versos sertanejos quando leu o "Remédios do Sertão"

FOME


Talita do Monte


Não te quero agora

Pois tamanha a minha fome

Comer-te-ia noite afora.
_______
Talita é poeta piauiense do o melhor naipe. Foto Albert Piauí.

fome











Fotos de Arnaldo Carvalho para o suplemento "Feridas Aberda da Fome", publicado pelo Jornal do Commércio de Recife no centenário de nascimento de Josué de Castro. Beleza plástica que revela a dor...







ópera no mercado




garimpado por Ana Salis

Casa do Barão



Casarão do século XIX, antiga residência do Barão de Gurguéia, tombada pelo Departamento de Patrimônio Histórico Artístico e Natural. Abriga em suas instalações bibliotecas; museu; Coordenações de Cinema, Vídeo e Fotografia; Coordenação de Artes Plásticas; Sala de Vídeo com 50 lugares; auditório com capacidade para 60 assistentes; Orquestra Filarmônica do Piauí; Coral da Cidade e Balé da Cidade de Teresina. Dotado ainda de galeria de arte e pátio para eventos.
A Casa da Cultura de Teresina, inaugurada em 12 de agosto de 1994, ocupa uma edificação construída entre 1870 e 1880, pelo Sr. João do Rego Monteiro, o Barão de Gurguéia (1809-1897), para sua residência e família. Segundo historiadores, além de residência, a casa serviu também como quartel e enfermaria.

Entre 1906 e 1911, o Monsenhor Joaquim d’Almeida instalou um Seminário no prédio e, em 1913, os herdeiros do Barão venderam o prédio para a Diocese de Teresina, que deu continuidade ao Seminário.

Depois de fechado, o casarão foi transformado em residência episcopal, tendo sofrido algumas alterações na fachada principal, na gestão de D. Otaviano Pereira de Albuquerque. Seu substituto, D. Severino Vieira de Melo, reabriu o Seminário, construindo um anexo par sua residência, no estilo do prédio original. Com a transferência do Seminário para outro local, nele passou a funcionar, por vários anos, a sede do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) no Piauí, para depois abrigar, também por longo período, o Colégio Pedro II, que fez diversas modificações no prédio. Em 1986, foi tombado pelo Departamento do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural do Piauí.

O prédio é um dos mais bonitos exemplares da arquitetura eclética piauiense da segunda metade do século XIX, com aplicação das tradicionais ogivas nas portas e janelas.
Em 1993, iniciaram-se as obras de restauro do prédio através de convenio firmado entre a Prefeitura de Teresina e o Governo do Estado do Piauí. O pavimento superior foi cedido, pelo prazo de vinte anos em forma de comodato, pela Arquidiocese de Teresina à Prefeitura, que alugou o pavimento térreo para complementar a ocupação do edifício. Assim, em 1994, após restaurada, foi inaugurada a Casa da Cultura de Teresina no imponente casarão da Praça Saraiva, pelo Governador Guilherme Melo e Prefeito Wall Ferraz.

Objetivando preservar, promover e divulgar a cultura do Estado e especialmente a do município, a Casa da Cultura proporciona a estudantes, pesquisadores, turistas e á comunidade em geral a oportunidade de ampliar seu conhecimento, através de visitas a seu acervo museológico, de consulta às fontes de pesquisa bibliográficas e arquivísticas, da formação cultural e do lazer por meio de cursos, oficinas de arte e outras atividades culturais.
A Casa da Cultura de Teresina abriga:
• Biblioteca Jornalista Carlos Castello Branco : com acervo de 4.927 livros e 918 periódicos
• Biblioteca de Artes Wall Ferraz: acervo em torno de 1.500 livros e mais de 300 periódicos
• Museu com o seguinte acervo:
- Mostra de Geologia, Paleontologia e Numismática;
- Coleção Fotográfica José Medeiros - arquivo fotográfico, livros, recortes de periódicos, troféus, telas, cartografia, objetos indígenas, objetos de trabalho e pessoais do fotógrafo e cineasta,;
- Coleção Carlos Castello Branco - com homenagens, livros, periódicos e objetos pessoais do jornalista, como o fardão da Academia Brasileira de Letras;
- Coleção Arquidiocese de Teresina, objetos sacros, oratórios e paramentos;
- Coleção Historiador Josias Clarence Carneiro da Silva - objetos sacros, mobiliário, porcelanas e instrumentos musicais;
- Coleção Professor Noé Mendes de Oliveira- objetos sacros.
- Memorial Professor Wall Ferraz - biografias, fotos, homenagens e objetos pessoais;
- Galeria de Artes Lucílio Albuquerque
- Auditório Professor Clemente Fortes - com 60 lugares
- Sala de Artes Cênicas
- Sala de Vídeo - com 50 lugares e uma videoteca abrangendo documentário, filmes de longa e curta metragem e clipes
- Sala de Artes Plásticas
- Sala da Orquestra de Câmara de Teresina
- Laboratório-escola de Fotografia
- Salas para as coordenações
- Varandão Cultural
- Pátio com palco a céu aberto
- Dependências de apoio (cozinha, banheiros e depósitos)

A Casa mantém várias exposições permanentes, com destaque para a de fotos antigas de Teresina e para sua pinacoteca, com telas de artistas plásticos como: Afrânio Castelo Branco, Heloísa Cristina, Dora Parente, Josefina Gonçalves, Nonato Oliveira, Portelada, Fernando Costa, J. Brito, Kátia Paulo e outros grandes nomes.

Com programação variada, a Casa da Cultura oferece visitação orientada para estudantes com exibição de vídeos educativos e acesso ao Memorial e ao Museu; atendimento personalizado nas duas bibliotecas; cursos e oficinas em diversas áreas e sessões de vídeos três vezes por semana.


(Paulo Tabatinga no Flick)

domingo, 1 de agosto de 2010

Os remédios do sertão



Edmar Oliveira


Levado pra cama por uma gripe forte, tive que ser medicado com antialérgicos, antiinflamatórios, antivirais, antigripais, vitaminas e sais minerais e que tais. Para uma simples gripe (tá bom, em velho já não é tão simples assim!) uma batelada de medicamentos. Sem ter o que fazer, por impossibilidades de convalescente e meio atordoado, pelos efeitos colaterais das drogas, fiquei pensando nos remédios que tínhamos no sertão. Ao contrário de hoje em que um diagnóstico pede uma quantidade infinita de remédios, naqueles tempos um remédio era quem tinha a capacidade para promover várias curas. Eram poucos, mas milagrosos.

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E tinha deles que a gente tinha de tomar todo ano. Não sei por que cargas d’água chegava um tempo (na minha memória era por volta de maio pela lembrança dos papagaios) em que as mães resolviam aplicar um purgante aos filhos. Todas juntas. Parecia um complô de mães contra os filhos. Não adiantava a gente se esconder, elas nos encontravam debaixo da cama, em cima de árvores e com uma colher do indefectível “azeite de mamona” à mão. A mãe segurava o filho pelo nariz. Sem respirar ele abria a boca. A colher do azeite se derramava na boca e a mãe soltava o nariz, pressionando as nossas bochechas e virando nossa cara para o alto. Assim descia o azeite purgativo. Curioso, nem lembro do gosto do azeite! Mas do efeito. Em pouco tempo nossas tripas viravam pelo avesso. Era uma corrida ao banheiro desenfreada, com atropelos em casas de muitos irmãos. A que servia tal método? Tratar de todas os vermes e fazer uma limpeza por dentro. Se funcionava eu não sei. Mas a crença era tão grande que a gente acreditava também.


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Lembro da “Aguardente Alemã”. Por que diabos, uma terra com tanta cachaça boa ia buscar uma aguardente no estrangeiro? É que essa era pra cura e se tomava em colher de sopa. Também era um laxante, mas muito mais suave que a mamona e com efeitos mais sutis. Esse era para os intervalos entre as purgações com o azeite da mamona.

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Tinha o “Azeite de Pequi” para ingerir e esfregar no peito. Tiro e queda para os catarros da infância. Mais moderno tinha o “Vick vaprub”, santo remédio inalado ou friccionado soltava o catarro preso (senti falta deles na minha gripe de agora). Parecia uma latinha de brilhantina. Como remédio para minha crônica bronquite cheguei a tomar chá de diamba, como era conhecida a maconha antes de virar droga ilícita, mas não traguei. Lembram das “Pílulas de Vida do dr. Ross – pequeninas, mas resolvem”? Eram uns comprimidos miúdos, redondos e dourados. Parecia um chumbinho. Mas nos garantia a vida no sertão, isso ninguém duvida! E a Emulsão Sccot? No rótulo um pescador leva às costa um bacalhau quase do seu tamanho. E o que estava no vidro era apenas óleo de fígado do bacalhau. Lembro do gosto. De amargar! Mas era um fortificante necessário. Como vinguei raquítico, imagino que tivesse morrido se não tomasse do fígado do bacalhau.

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Tinha mais alguns remédios na farmácia do sertão. Jalapa, Biotônico, elixirparegórigo, regulador Xavier. Lembram do regulador? Era pra males da menstruação e tinham dois: número 1 para excesso; número dois, escassez. Assim dizia a musiquinha. E uma musica que me acompanha até hoje é a do Melhoral, é melhor e não faz mal.

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Mas lembro de um remédio do sertão, que acho ser o melhor deles. Podia até mesmo dispensar os demais. Era a “Pílula Contra”. Alquem aí se lembra? Um remédio que era “contra” os males de toda natureza. Precisava mais?

cinco tempos do corcovado











da minha janela avisto sempre o céu do Redentor, o privilégio do olhar.



Maria dos Remédios



Geraldo Borges



Ontem a noite eu tive um sonho. Acho que é melhor me apresentar. Meu nome é Maria dos Remédios. Poderia ser da Piedade, do Amparo, da Consolação, do Desterro, da Misericórdia, do Perpetuo Socorro; poderia ser qualquer Maria, contanto que fosse virgem.


Eu estava sentada na rampa do rio, com as pernas dento da água até os joelhos. O vento encrespava a água e arrepiava o meu corpo. Quando de repente me pareceu que eu estava caindo dentro de um poço bastante profundo, úmido, lodoso, cada vez despencava mais. Pareceu que alguém estava me puxando pela perna. Parei dentro de uma loca, uma caverna no fundo do rio, de águas paradas, cheia de espelhos líquidos. De olhos arregalados o Cabeça de Cuia olhava para mim, lambendo os beiços, disse.


- Muito bem. Você é virgem. A minha primeira virgem. Até que enfim vai começar. Depois virá a Maria da Piedade, e assim por diante, ate o numero das notas musicais. Aí acabará a ópera, eu desencantarei. E daí para frente só Deus sabe.


Eu não estava entendendo nada. A minha vontade era acordar daquele pesadelo, subir à tona do rio Poti, ouvir o galo cantar no quintal e me levantar para cuidar da vida, lavar a minha trouxa de roupa, botar no quaradouro, aproveitar o sol que hoje está bonito, colocá-las no varal e depois passar ferro.


Eu estava no fundo do rio, coberta de lodo, o Cabeça escorrendo no meu corpo, tentando me despir, me descompor. Tirou a sua cuia da cabeça e eu vi o seu crânio reluzente, guloso, pelado, duro, imoral, procurando a forquilha de meu corpo entre as minhas coxas. Senti a penetração. Gritei. Acordei. Fiquei aliviada. Estou viva.


Nesse mesmo dia fui tomar banho. Não voltei mais. O meu sonho virou realidade.


_________________________


foto: monumento ao Cabeça de Cuia, Teresina

O Bom José por Gervásio



Gervásio Costa, genial caricaturista, que por sorte empresta seu talento ao Piauinauta, numa homenagem especial ao Bom José. Agora como anjo da guarda cuidando da gente.

saudade

Ana Cecilia Salis

Falo
Palavras
sem gosto
de
amor

reclamo
dores
sem jeito
de curar

Ando
triste
colorida
de nenhuma cor

e
torço
o pescoço
pra só
e até

te
re
encontrar
...

MODERNIZA MAS NÃO ACABA!



Xico Pereira



Quando militei no movimento popular no Rio de Janeiro há uns dez anos atrás tive a oportunidade de conhecer a organização das Cooperativas Habitacionais em Montevidéu – Uruguai.Fiquei maravilhado como eles se organizaram inspirados por uma ideologia anarquista que no século passado se espalhou por todo o mundo, inclusive aqui na America do Sul.


Visitei inúmeras moradias construídas com a participação dos futuros moradores, seja na compra do terreno, construção e administração das edificações. Pena que nada disso ocorreu no Brasil, mas isto é outra história.


Essa iniciativa em Montevidéu chegou ao centro da cidade e vem recuperando dezenas de prédios abandonados pela migração que o crescimento da cidade provocou.


Recentemente tenho lido nos jornais que iniciativas semelhantes para recuperarem os centros de inúmeras cidades pelo mundo afora têm feito grande sucesso, seja com moradias, centros de gastronomia, lazer, etc.


Codó, cidade “onde a vaca não suja o mocotó”, passa pelo mesmo problema das grandes cidades no mundo. Na minha infância por lá eu a considerava uma metrópole que mais tarde perdeu o status quando conheci Teresina, onde moravam os familiares de meu pai. Localizada entre a BR 316 que liga as capitais do Piauí e Maranhão a 120 Km de Teresina e a 290 Km de São Luis, com 110 mil habitantes. Vive da agricultura, comercio expressivo e uma grande fábrica de cimento que abastece vários estados do norte e nordeste.


Foi lá que conheci o Piauinauta, história já contada por ele em uma edição do ano passado, quando recordou da minha grande desilusão ao vê-lo afirmar em uma sessão de catecismo da Capela que fica entre o prédio dos Correios e a Prefeitura, de que Papai Noel não existia, era o pai da gente que colocava o presente embaixo da nossa rêde pra nos enganar. Eu sabia deste fato mas não desejava ouvir isso de alguém muito menos daquele menino magrelo que já naquela época esboçava sua virtude pra liderança. Foi em Codó que assisti a muitos filmes no cinema da cidade, perto do “riacho da Água Fria” e da igreja de Nossa Senhora das Dores, no centro da cidade. Vivi muitas contradições neste cinema que me fascinava ao ver imagens numa tela grande e ao mesmo tempo me incomodava a divisão da sala, que através de um muro com cerca de um metro e meio de altura próximo da tela, dividia a sala do cinema. A entrada pela frente era para quem pagava ingresso num valor maior com direito a sentar numa poltrona de madeira. E ficar a uma distância normal para ver a tela. Já os mais pobres entravam por uma porta lateral do outro lado do muro onde não haviam cadeiras mas alguns bancos de madeira sem encosto e muito próximo da tela obrigando os espectadores a maioria de negros, a olharem pra cima vendo imagens distorcidas que certamente provocava torcicolo a quem ali sentava.


Pois deste cinema meu amigo Piauinauta só existem as paredes laterais. O teto caiu junto com os nossos sonhos de criança. E curioso é que ao lado das ruínas do cinema existe uma locadora de vídeos que também encerrou suas atividades. Doeu muito ver um espaço importante de lazer da cidade sucumbir aos modos dos tempos globalizados.


Quem sabe o Piauinauta consiga sensibilizar o pessoal da cultura de Codó a aderir ao programa que o Lula lançou recentemente “Cinema perto de você” com o objetivo de estimular através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a construção de 600 novas salas de cinema em todo o país para as cidades que tenham mais de 100 mil habitantes. Mas seguramente sem o muro.


O Clube “Guaraparí”, onde dei meus primeiro passos de dança com as filhas do Chico Rêgo, sócio de meu pai, também fechou suas portas acompanhado pelo Clube “União” que se transformou em igreja evangélica. Já o Clube “Operário” reduto dos negros da cidade é o único que continua funcionando. Lembro que em frente ao Clube Operário havia um terreno com uma mangueira frondosa no centro que servia para as manifestações dos negros da cidade como o “terecô” e o “tambor de crioula”. Ali os tocadores dos tambores sentavam nos mesmos, feitos de troncos de árvores e regulavam a afinação através de uma fogueira que ficava ao lado da roda de cantoría. O Clube continua lá o terreno em frente também mas não ocorrem mais as rodas de canto e dança da negrada da cidade. Tá todo mundo modernizado, Pena!


________________________________


Xico Pereira é amigo de infância. Mas que trauma! Já pedi desculpas pública aqui no Piauinauta e ele não esquece dessa história do catecismo!

Ex-Teresina



O Piainauta flutua na moderna Teresina, que não é mais a minha nem a do Climério:

.

Ex-Teresina

.

(Climério Ferreira)

.

Teresina,

Aminha,

Essa não há mais

.

A minha

Era uma cidade sem cais

Pois essa atual veio depois

Do desaparecimento da Palha do Arroz

.

A Teresina

Dos cajueiros

Do Barrocão

Da Maria Tijubina

Essa não mais se mostra à retina

.

A da estrada Nova

Da Baixa do Chicão

A da usina

Não há mais tal Teresina

.

da vitamina do Mundico

Do pastel do Gaúcho

E a do Bar Carnaúba

Do programa do Al Lebre

Da crônica do Carlos Said

Das aulas de A. Tito Filho

Das agências da Saraiva

Do teatro do Santana e Silva

Das raparigas no corso

.

De tudo que já foi

Resta a cajuína

E uma nova Teresina

Que nunca Termina

E constantemente nos ensina

A ter o seu amor como sina

______________________

do livro Teresina - um olhar poético. FMC, 2010, organização de Salgado Maranhão

No dos outros é refresco

1000TON




Ficaram martelando na mesma tecla que o Brasil precisava “fazer o dever de casa”, com sérios riscos do atual governo dar com os burros n´água, digo, com o burro n’ água, a bem dizer, caetanamente falando, do nosso analfabeto presidente.


O recado foi mandado pelos grandes financistas, gringos experts do Midas Mercado, e tome falação em cima daquela tal conversa-mole-pra-boi-dormir do “descontrole das contas públicas” e, pasmem, coadjuvados pelos grandes proxenetas coroados aqui do Brasil, tipo o magnânimo economista Serra e seu guru, o FHC, do qual o careca quer se livrar, mas não consegue mais: está todo impregnado da gosma neoliberal, aquela mesma vomitada por Reagan e Thatcher nos 80’s e 90’s.
Nessa mesma barca do inferno, só para apontar alguns passageiros, temos a bordo a nossa pródiga colunista Míriam, o genial Sardenberg, com o apoio, evidentemente, do provecto Jabor, cineasta, sociólogo, jornalista, cientista social, observador político, consultor global, menino de recados do... não, deixa pra lá, senão eu mesmo deixo de dar o meu recado.
E tome desregulamentação com mercado livre, tome privatizações, e tome mandar para o espaço direitos sociais conquistados pela sociedade.


Tá na cara! O problema é sempre o Estado! Ele está sempre inchado demais! Tentam implantar, na cabeça do cidadão essa estúpida mentira, os doutos analistas de mercado, essa corja que come na mão dos banqueiros.


Em 2008, essa panacéia macabra deu na crise iniciada nos EUA, fomentada pelos espertalhões negociadores de papéis fajutos, que levaram os tais badalados mercados a um desajuste total, ao caos econômico.


Esse mesmo caos atinge, agora, a Grécia, a Espanha, a Itália, já atingiu a Irlanda e atropelou Portugal, não tendo tempo, sequer, de anotar a placa da limusine do banqueiro, que passou zunindo em alta velocidade. O tal “descontrole das contas públicas” é tido sempre como o bode expiatório para justificar o fracasso dos países emergentes. Ecãonomistas farejadores são animais irracionais, que só veem sempre distorções no setor público. O setor financeiro internacional é isento dos pecados da usura.


Então fica combinado assim: o governo tira o pé do acelerador do desenvolvimentismo, aí, para cobrir o déficit, busca financiamento externo a emprestadores internacionais de dinheiro. Estes, por sua vez, apressam-se em socorrer, com desprendida gentileza, os necessitados e chegaremos, enfim, ao Nirvana.


É sempre bom lembrar esse fato relevante:
Desse mesmo veneno provamos em 98, ano em que o Brasil quebrou pela primeira vez, pelas mãos do finório FHC, aquele cachorrinho de madame adotado pela família Clinton.

Nordestino Carioca



O Nordestino Carioca, restaurante do meu amigo Roberto Araujo ganhou o quinto lugar no concurso "Comida de Boteco". Entre os melhores botequins do Rio, dona Iracema abafou com o "Caldinho de Caridade", aqule mesmo que a gente toma na terra pra combater a ressaca. Cebola, carne moída, cominho, tempeiro da casa e ovos. No Mafuá tem demais...

poemicro

COISAS DO MUNDO

Sempre que olho o mundo

Desejo morar na vila

(Climério Ferreira)

Serra da Capivara




Foto da "Fundação do Homem Americano".


Posted by Picasa

Priquito


Paulo Tabatinga

Todas as vezes que um priquito* passa
Finda-se uma filosofia

______________
*Priquito - Vagina. Priquito é a forma mais sincopada de Periquito. Dicionário Piauiês, Paulo José Cunha, p. 190.