domingo, 13 de junho de 2010

dois momentos da ponte metálica




Como nos últimos dois Piauinautas a ponte nova (Estaiada) ficou em evidência, a velha ponte, muito enciumada, exigiu do poeta Paulo Tabatinga estas belas fotos que lhe deram nova roupagem...

A Ponte João Luiz Ferreira, mais conhecida como Ponte Metálica, é um dos símbolos e talvez o mais conhecido cartão-postal de Teresina. Foi a primeira ponte construída sobre o Rio Parnaíba, inaugurada em 2 de dezembro de 1939, após 17 anos do início da obra, ligando Teresina a Timon. Projetada pelo engenheiro alemão Germano Franz, consumiu 702 toneladas de ferro em sua construção. Sua conclusão permitiu o estabelecimento da linha férrea entre Teresina e São Luís, conectando por trem as Capitais do Piauí e do Maranhão. Foi declarada Patrimônio Histórico Nacional pelo IPHAN em setembro de 2008. (Paulo Tabatinga, texto e fotos)
Nesta edição quase todas as fotos do SALIPI são de Paulo, as ruins são do meu celular.

SALIPI - 8a. Edição


O Salão do Livro do Piauí teve sua oitava edição este ano. Entre os convidados, Afonso Romano de Sant’Ana, Márcia Tibiri, Teresa Melo, Ondjaki, Nicolas Behr, Marina Colassanti, Lísia Diniz, Paulo José Cunha, Marcos Freitas. Os três mosqueteiros, Cinéas, Wellington e Romero, estão há oito anos produzindo em Teresina um Salão do Livro que remexe a cidade num frenesi de fuçar livros e caçar conversa entre seus participantes. O D'Artagnan Salgado Maranhão, que sempre ajuda na festa, estava preparando a sua festa no Rio de Janeiro num lançamento esplendoroso de "A Cor da Palavra". Mas lá no Piauí, a velha praça Pedro II e o Teatro 4 de Setembro ficam muito pequenos tal a quantidade de gente na furdunça. Os miúdos fazem uma algazarra na troca do videogame e da televisão por um bicho vivo que se abre e sapeca letras na cara de curiosos fascinados. É um aprender de leitura que a cada ano se provoca em mais.

Tive a oportunidade de participar por duas vezes. Em 2008 fiz uma fala sobre o tema “Intervenção Cultural na (da) Loucura”. Interessante a curiosidade da rapaziada. Desta vez fui contar histórias do “Ouvindo Vozes” e me surpreendi no interesse do pessoal com o velho teatro abarrotado e provocando tantas perguntas, que não tive fôlego pra responder todas.

Mas de lá trouxe na bagagem um inventário fabuloso. Nicolas Behr, que conheci em Brasília, sua agitação característica e suas idéias maravilhosas: promete levar um fóssil de árvore petrificada, que se encontra no rio Poty, de uma tonelada para Brasília. Eu acredito no gigante. Lília Diniz, uma maranhense adubada ao cordel e aos tambores de criola com um livro maravilhoso chamado “Miolo de Pote”. Teresa Melo, poeta da ilha de Fidel, com sua poesia de um feminismo (yo no soy feminista, nunca!) delicioso. Promete juntar as poetas piauienses. Falei-lhe de Keula e de Graça, não são boas? Com Márcia Tiburi a conversa é filosófica, mas duma filósofa que todo mundo entende. Perturbadora no conhecimento e na beleza. A gente não sabe onde prestar atenção. Ondjaki, descobri um menino de alma velha, parece que lhe conheço desde a África, sem nunca lá estar. Ficamos amigos.

Foi isso que trouxe, além da amabilidade de Silvana, Karoline, Lucila e as outras meninas da organização que foram de uma competência impar. Meus irmãozinhos Paulo José, Cinéas, Marcos Freitas, Wellington e Romero, um papo de velhos que voltaram a infância. Foi muito bom a minha ida ao SALIPI. Não pelo que levei, mas pelo que trouxe...

Futebol, ganhar ou perder, eis a questão


Geraldo Borges

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O futebol é uma instituição que herdamos da cultura inglesa, e que a partir do começo do século vinte começou a tomar fôlego em nossa sociedade a partir principalmente da região Sudeste. Caiu no gosto da classe media, da plebe, das altas rodas, e até mesmo de muitos intelectuais. Lima Barreto, em uma de suas crônicas de 1918 diz: Nunca foi de meu gôsto o que se chama Sport, esporte ou desporto. Ele estava tratando especificamente de foot Ball, que com o passar dos anos se adaptou ao neologismo futebol, que pode ser traduzido por pé na bola. Graciliano Ramos também em 1921 fala sobre futebol em uma crônica publicada no seu livro Linhas Tortas. Ele é de opinião que o futebol não emplacaria, não teria toda esta febre atual que vemos, pelo menos no Nordeste. Não acertou. O escritor aconselhava como esporte nacional a rasteira, principalmente para os políticos.

.O futebol e o carnaval são os bondes da alegria que conduzem o Brasil e seduzem toda a sociedade. Funciona como válvula de escape da pressão social. Já José Lins do Rego adorava futebol, era torcedor fanático do Flamengo. E Nelson Rodrigues, que inventou o complexo de vira lata para o brasileiro, que até hoje não conseguiu se livrar dele mesmo sendo penta campeão, era torcedor do fluminense, do velho fluminense de Castilho, Pindaro e Pinheiro. Coelho Neto parece que gostava muito de futebol. Não sei bem. Mas das minhas rápidas leituras sobre ele fiquei sabendo que tinha um filho que era jogador. E uma pista.

Estamos em plena Copa do Mundo, disputada em um país de maioria negra, colonizado por ingleses, onde rola uma bola colorida. E se o Brasil ganhar esta Copa? Nem pensar. Sinceramente. Eleitoralmente.

O que consagra um jogador não é ganhar ou perder uma Copa. O que consagra um jogador é o seu desempenho. E a ovação da torcida. Todo mundo conhece o jogador Sócrates. Nunca foi campeão mundial. Mas que classe. Um atleta de primeira grandeza, não era só bom de pernas, tem, também, uma cabeça que pensa, e Falcão, idem, também não foi campeão, mas que moço de sensibilidade, um grande amigo do poeta Mario Quintana, que não vestiu o fardão da Academia, mas, em compensação, virou passarinho, e o Casa Grande, Zico, Careca, todos consagrados, respeitados, mesmo na derrota. Pois nunca foram campeões mundiais. Isso me fez lembrar Lima Barreto, Monteiro Lobato, Graciliano Ramos, Mario de Andrade, todos consagrados, e nunca foram eleitos para a Academia.

E se o Brasil não ganhar esta Copa, não trazer o caneco? O que é pior. Nem pensar. Uma nuvem de água fria vai cair na cabeça de uma multidão que em breve vai ter de enfrentar um pleito eleitoral. Bom. Que tudo corra em paz. As zebras estão na África,

O Brasil já é campeão de muita coisa, coisas que a gente mostra e coisas que a gente esconde. E mesmo perdendo a copa a gente ainda continua na dianteira. Somos penta. Se chegarmos a hexa muita gente vai pronunciar o nome grego, mas a maioria não vai saber escrevê-lo, vão dispensar o H.

Acredito que, um espectador de futebol, esteja em uma arquibancada, ou em qualquer lugar privilegiado do estádio, ou, em sua casa, sentando em uma poltrona, na frente da televisão, jamais verá um jogo em toda a sua plenitude se comportar-se de uma maneira unilateral frente as performances das equipes. Tem de ter a vista pronta para todos os lances se ficar exaltado com o seu time ficará cego, e não contemplará a beleza do jogo. Em uma Arena os espectadores torcem pelo novilho enfezado, ferido, ou pelo toureiro? Ou se delicia com o todo do espetáculo? Só Deus sabe qual dos dois animais será sacrificado. Hemingway entendia disso.

Assim me espelho no futebol. Quero o espetáculo, não estou preocupado com a vitória de A ou B. Argentina, Brasil. Mera coincidência. O meu nacionalismo está alem do rio da Prata. Não tenho nada contra Diego Maradona, muito contra Dunga. Tanto faz a gente gritar pelo Brasil ou Portugal ou qualquer time da Europa tudo é Brasil. Pois os nossos jogadores estão sendo exportados, perdendo o adjetivo pátrio, naturalizando-se onde vestem a camisa, e não vai demorar muito todas as seleções vão ter sangue e suor brasileiro. Só vai mudar a cor das camisas, e os brasões no peito. Até mesmo o modo de jogar da nossa seleção já é Europeu. Um esquema tático moderno.

Perder ou ganhar, eis a questão. O certo é que ninguém perde com o futebol. A seleção mundial é de quatro em quatro anos, enquanto o campeonato estadual e outras modalidades acontecem de ano em ano. E é nesses entreveros que aparecem os grandes gladiadores, que, geralmente, vêm de baixo para não dizer de cima do morro. Sim, Gladiadores. Por que o futebol é figuradamente um arremedo dos gloriosos tempos romanos no Coliseu. Só que agora a coisa é menos violenta. A arma fundamental, e o drible, o chute seco, rasteiro. Um petardo em direção ao gol. Ou uma cabeçada.

Mas quem menos ganha com o futebol é a torcida, suas vitorias são sempre desgastante, repletas de suspenses, peripécias, na narração de Galvão Bueno, e nos comentários de Falcão ou Casa Grande. E o pior de tudo é quando perde. Um tem que perder. Às vezes empata Parece que é pior. Têm torcidas que fazem um deus nos acuda da derrota e terminam entrando em guerra com a vitoriosa, que pensa que é dona do time. Dos cartolas não é preciso falar nada, estes sim são os verdadeiros vitoriosos Por isto mesmo vou ficar por aqui para não entrar na questão da mídia transvertida de publicidade, esta vara de condão que seduz a torcida delirante.

SALIPI de fora





O escritor angolano Onjaki, a poeta cubana Teresa Melo, a defensora da ilha de Fidel e a filósofa, professora e escritora Marcia Tiburi, simpatia gaúcha na terra do sol.

Prédio do Inps



Como nós mesmos somos um povo que nos sacaneamos, antes que alguém o faça, diz a lenda que quando Teresina só tinha esse prédio do INPS (a gente pronunciava impes), um piauiense chegado de São Paulo contava como era a cidade do sul maravilha: - "ora, é uma cidade cheia de impes!"
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foto: Tabatinga

SALIPI de dentro




Cineas Santos fez uma conferência sobre literatura infantil, que eu não pude assistir. Paulo José Cunha apresentou seu Perfume de Rosetá, uma viagem deliciosa na nossa memória infantil. O mestre Assis Brasil fez uma conferência sobre a criação literária. Eu, um contador de histórias salipiei o meu ouvir vozes...

sexo

Ana Cecília Salis
.
Bem antes das carnes de um bom homem,
Que ele me faça a cobertura
com seus olhos...

SALIPI dos meninos




O Circo das Letras e o mundo de livros infantis foi atropelado por uma multidão ávida por palavras, que fez a magia nessa festa das crianças.

Transbêbado


Paulo Tabatinga

SALIPI 2010






SALIPI 2010. Palestra no Salão. Com Dr Adail e Arnaldo Albuquerque, esse o maior artista da Teresina de 1970 em diante. O Piauinauta encantado com Patrícia Mellodi. Com Wellington Soares, por que fui convidado e um dos organizadores do evento. Em animado papo, na porta do Teatro com Cícero Mafuá, Feliciano e Mestre Cinéas.

LÉXICO FAMILIAR

Luís Horácio

Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira. Perdoe, atento leitor, mas a frase de Tolstói em Ana Karênina me veio tão logo iniciei a leitura de Léxico Familiar.

Natalia Guinzburg reconstitui com palavras ações familiares, as ações de sua família. E os sofistas já diziam: o melhor que tem o homem é a palavra, o pior que tem o homem é a palavra. Quem substituir palavra por família também acertará o alvo.

Todo escritor terá em sua família um reservatório de histórias, basta admiti-las o que convenhamos nem sempre é tarefa das mais fáceis, apesar de a teoria literária consegue diferenciar a autoficção da autobiografia.

Léxico Familiar apresenta a memória de Natalia Ginzburg, no entanto a forma primorosa com que a autora as renova tornam o tema, aparentemente restrito aquela família, de alcance universal. O leitor entrará em contato com um cotidiano tecido em palavras, assim como o cotidiano pintado pelo holandês Vermeer.De algum modo,bem resolvido leitor, você também se verá nas linhas e entrelinhas de Natalia.

O romance ou um corte autobiográfico de Natalia Ginzburg oferece ao leitor as impressões de uma família acerca do fascismo.Mas não fica restrita a simples análise, a família “põem a mão na massa”. Não se trata de um livro simples, exigente leitor, mas acima de tudo critico e de uma complexidade atraente. Um fora de série, seja visto como autobiografia ou como romance.

Representante feminina do neorrealismo italiano de pós-guerra, Natalia Ginzburg trabalha com a linguagem direta neste Léxico Familiar, predominância de diálogos desprovidos de pompa, as frases são carregadas de um naturalismo impressionante, sem com isso chegar ao superficialismo de uma novela de tv.Os artificialismos literários que a teoria recomenda não são utilizados. A temática, aparentemente banal, é abordada forma profunda. Invejável.

O que vem a ser este Léxico familiar? Romance, biografia? A autora consegue mostrar a junção de fatos reais e ficcionais no interior dessa obra? Mantém compromisso com a verdade,aspecto fundamental na escrita autobiográfica? A autora faz uma advertência: Embora extraído da realidade, acho que deva ser lido como se fosse um romance:ou seja, sem exigir dele nada a mais, ou a menos, do que um romance pode oferecer.

Segui a orientação a autora e li como um livro de autoficção;

O foco do problema passou a ser a autora, um ser enunciativo, uma persona, projetada pela autora real, que comanda as escolhas e estratégias envolvidas na construção da história, sem esquecer, no entanto, que a a autoficção é ficção.

Léxico familiar conta, grosso modo,a história de sua família, judeus italianos. A autora não segue a linha cronológica dos acontecimentos, tampouco se demora em detalhes. Dispensa os casamentos, mortes, ou melhor, comenta-os superficialmente. Sua atenção está voltada para o código que regula as relações entre os membros da sua família, são os detalhes, as maneiras de dizer as coisas, o tal do “léxico familiar.” Os hábitos e uma família incomum. Por exemplo: todos tinham o hábito de escrever poemas, não se fazia necessário efeméride tampouco ocasiões especiais, estudos de línguas, canções, brigas, as palavras e as expressões ouvidas na infância. As palavras que desenham um espaço e delimitam um tempo. Os contrastes entre a alegria da mãe e a ranhetice do pai, a atividade política.

Diz sobre seu pai: Às refeições, costumava tecer comentários sobre as pessoas que vira durante o dia. Era muito severo em seus julgamentos e xingava todo mundo de imbecil.Para ele um imbecil era “um parvo”. - Pareceu-me um grande parvo - dizia, comentando sobre alguém que acabara de conhecer. Além dos “parvos” havia “os negros”. “Um negro”, para meu pai, era quem tinha maneiras deselegantes,estabanadas e tímidas, quem se vestia de modo impróprio,quem não sabia ir à montanha, quem não sabia línguas estrangeiras.

É este o léxico familiar composto de brigas, de dizeres conflitantes, de espontaneidade, um léxico onde as idiossincrasias são encaradas com naturalidade, as divergências não colocam em risco a união familiar,o amor acima de tudo.

Nele há também muitas coisas que eu lembrava e que deixei de escrever, natural, por mais que se disponha a desnudar sua família, reservas, silêncios, vazios são bem entendidos. É outra característica notável desta autora, o distanciamento dos acontecimentos. Mesmo daqueles em que se não foi protagonista atuou como coadjuvante em cenas das mais fortes,o leitor não encontrará os exageros sentimentalóides tão comuns na literatura atual. E não se trata de episódios banais. São trágicos, dramáticos, vão da prisão dos irmãos, ao seu próprio isolamento com os filhos, passa pelo esfacelamento famíliar na guerra, culminam com a morte do primeiro marido, antes torturado na prisão. O peso de toda essa tragédia se dilui na brilhante narrativa de Natalia. Caberá ao leitor, finda a leitura, decifrar o enigma: Léxido familiar é um livro alegre ou um livro triste?

Adianto minha resposta. Um livro excelente.

Easy Rider


(Edmar Oliveira)

poemicro 10

RENDEZ-VOUS


O homem e a mulher

Se encontram um no outro


(Climério Ferreira)


SALIPI - ainda






O grandalhão e agitado poeta brasiliense Nicolas Behr fez a conferência "A Poesia é Necessária?" e divulgou seu livro "Pau Brasília". O poeta candango Marcos Freitas, entre Cícero e o Piauinauta. A maranhense Lisia Diniz e seu livro reciclado e guardado na caixa de buriti, feita por seu pai, Miolo de Pote. Esgotou.

SALIPI - Eucapiau

video

Desculpem a qualidade do vídeo. Feito num tremor de mão num celular, no qual nem bem falar eu sei. Todas as noites, o convidado da última palestra era presenteado com um grupo local. Na palestra de Onjaki o grupo Eucapiau fez sua apresentação. Se o vídeo é ruim o grupo é bom. Escutem...