domingo, 15 de janeiro de 2012

1 versinho


A ESCULTURA VEGETAL

No meu caminho há uma enorme árvore
Com as raízes inúmeras expostas ao vento

O tronco todo marcado por seivas ressecadas
Sua copa de tão alta quase não dá sombra

Os galhos assumem uma palidez clara
Ostentando aqui e acolá manchas marrons

Deles se lançam cipós retorcidos e pendurados
Qual seres que se embalam à beira do abismo

Tal árvore se mostra entre vegetal e fóssil
É-me impossível adivinhar o que ainda é

Talvez uma escultura tenebrosa e bela
Que o tempo cuidou de esculpir ao acaso

(Climério Ferreira)

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